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IG4 negocia compra de dívida da Raízen e mira comando da empresa reestruturada

IG4 Capital diz ter capital para comprar a dívida da Raízen e mirar participação de 50,1% para liderar a recuperação da empresa

'Nossa oferta está sobre a mesa”, afirmou o sócio fundador Paulo Mattos (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
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  • IG4 Capital afirma ter capital suficiente para comprar a dívida da Raízen SA inteiramente em dinheiro, visando obter participação de controle de 50,1% na empresa reestruturada.
  • Raízen recebeu aprovação para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, na maior operação extrajudicial da história do Brasil, com conversão de 45% da dívida em cerca de 80% do capital social.
  • A gestão pretende liderar a recuperação da Raízen e instalar uma equipe de recuperação, não apenas oferecer consultoria, e negocia termos com credores, incluindo preço, volume e formas de pagamento.
  • A IG4 planeja colocar as ações adquiridas em um fundo de investimento, oferecendo aos credores opções de recebimento em dinheiro, cotas do fundo ou derivativos vinculados a uma venda futura.
  • A transação depende de negociações com credores, bancos e com o grupo, incluindo a Shell (que manterá participação relevante) e a Cosan, cuja participação deverá ser diluída; a Raízen será dividida em duas empresas, com a distribuição vendida conforme o plano.

A IG4 Capital informou que tem capital suficiente para comprar a dívida da Raízen S.A. integralmente em dinheiro, se necessário, e mira alcançar 50,1% de participação na empresa reestruturada. A gestão busca liderar a recuperação da produtora de açúcar e etanol.

O acordo envolve a reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, aprovada pelos credores no início deste mês. A Raízen, controlada pela Shell e pela Cosan, passa por mudanças estratégicas diante de altas taxas de juros e safras fracas.

A oferta da IG4 não é bohato de mercado, segundo o sócio fundador Paulo Mattos, e a companhia pretende negociar termos, inclusive o preço, com credores. A gestora terá até março do próximo ano para concluir a compra da dívida.

A estratégia é que a IG4 concentre o controle ao conduzir a recuperação, com uma equipe dedicada, em vez de atuar apenas como consultora. A rede de credores é fragmentada, o que, segundo Mattos, dificulta a reestruturação sem investidor líder.

A IG4 planeja colocar as ações adquiridas por meio da compra da dívida em um fundo de investimento. Credores poderiam optar por dinheiro, cotas do fundo ou derivativos atrelados a uma venda futura. Negociações já começaram com bancos específicos.

Segundo Hélio Novaes, executivo da IG4, as negociações avançam com bancos de forma individual, com pedidos de ações por parte de alguns e de derivativos por outros. A empresa já mantém contatos com consultorias que assessoriam credores e detentores de títulos.

A Raízen possui 32 fábricas, com 24 em operação. Parte do patrimônio poderá receber investimentos para melhorar produtividade, segundo a empresa. A Shell deverá manter participação relevante, com aporte de R$ 3,5 bilhões, enquanto a Cosan terá participação diluída.

O plano de reestruturação prevê dividir a Raízen em duas empresas: uma produtora de açúcar e etanol e outra de distribuição de combustíveis. Ainda não há definição sobre a parcela de dívida atribuída a cada unidade nem o valor de cada negócio.

O valor de mercado atual da Raízen está em torno de R$ 4,35 bilhões, o que representa cerca de R$ 3,48 bilhões para 80% da companhia. Os credores com dívidas superiores a R$ 29 bilhões receberiam esse montante em caso de conversão total.

Contexto da negociação

A IG4 já atuou como gestora em reestruturações complexas, incluindo a Braskem. A empresa nega qualquer relação de controle com o BTG Pactual e afirma ser independente, assegurando tratamento igual a credores e investidores na mesa de negociação.

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