- O Movimento Criança sem Dívida reúne vítimas de abuso financeiro infantil e defende o Projeto de Lei 166/2026, que busca dificultar a vinculação de menores a CNPJs.
- Paloma Yumi, que virou sócia de empresas dos pais aos 16 anos, chegou a ter de dívidas no seu CPF equivalentes a R$ 6 milhões aos 18.
- Dados da Receita Federal apontam que mais de trinta mil CPFs de menores foram vinculados a CNPJs entre 2020 e 2024; não há lei que proíba essa participação societária.
- Renata Furst, fundadora do movimento, foi incluída como sócia aos seis anos e começou a receber cobranças aos 12, levando-a a criar o grupo que hoje também oferece apoio psicológico e jurídico.
- O Projeto de Lei amplia a responsabilidade das instituições financeiras na verificação de identidade e prevê medidas para evitar abertura de contas e contratos em nome de crianças e adolescentes sem autorização.
O Movimento Criança sem Dívida reúne vítimas de abuso financeiro infantil e defende um projeto de lei que dificulta a vinculação de menores a CNPJs. A iniciativa nasce a partir da história de Renata Furst, que teve participação societária aos 6 anos e enfrentou cobranças judiciais aos 12.
A história de Paloma Yumi, advogada, aponta para o que o movimento denuncia: crianças e adolescentes podem ter CPFs vinculados a empresas, gerando dívidas no nome de jovens sem plena capacidade de entender as consequências. Paloma acumulou débitos de uma empresa aos 18 anos.
Dados da Receita Federal indicam que mais de 30 mil CPFs de menores foram ligados a CNPJs entre 2020 e 2024. Não há legislação que proíba formalmente a participação de menores em empresas no Brasil. A ausência de regra cria risco de endividamento.
Advogada Adriana Cardoso Sales de Oliveira afirma que a participação de menores ocorre em planejamento familiar, especialmente em fases de sucessão. O problema surge quando negócios acumulam dívidas ou falem, vinculando o jovem aos débitos.
Ações legais de jovens são incomuns; muitos não reconhecem a experiência como violência. A advogada destaca que o vínculo emocional dificulta o reconhecimento e o enfrentamento adequado dos casos.
Renata Furst, criadora do movimento, viveu experiência semelhante desde a infância. Incluída como sócia de duas empresas aos seis anos, recebeu cobranças aos 12 e percebeu que o CPF havia sido vinculado por decisão de um familiar.
A regularização da situação ocorreu apenas aos 27 anos, quando a mãe quitou as dívidas. A trajetória impulsionou Renata a atuar na área de crimes financeiros, associando o trauma à ideia de um “roubo de identidade infantil”.
Em 2025 Renata tornou pública a sua história no Instagram. O conteúdo viralizou e estimulou a criação de um grupo no WhatsApp para reunir relatos, que evoluiu para o Movimento Criança sem Dívida, hoje com mais de 200 participantes.
O movimento oferece acolhimento, orientação jurídica e encaminhamento para apoio psicológico, ampliando a visibilidade do tema e estimulando medidas de proteção aos menores.
Em 2026, o Projeto de Lei 166/2026 chegou à Câmara dos Deputados. A proposta busca ampliar a responsabilidade de representantes legais que usam o CPF de crianças e adolescentes de forma fraudulenta. O texto propõe reforçar verificações de identidade e dificultar aberturas de contas em nome de menores.
Renata afirma que as vítimas são marginalizadas pelo sistema legislativo e de crédito, que as trata como devedoras. A ideia é reconhecer a condição de vítima e prevenir usos indevidos de dados de menores.
Paulo, que pediu não divulgar o nome completo, também relatou emancipada aos 16 anos e endividamento aos 26. Ele descreve o impacto emocional de anos sob cobrança e endividamento, sem condições de retomar a carreira com normalidade.
Após dois décadas, Paulo conseguiu quitar as dívidas, mas continua sob a sombra das lembranças. Ele relata o hábito diário de checar a conta para evitar surpresas e o constante sentimento de insegurança que persiste.
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