- A Braskem busca recuperação extrajudicial para alongar vencimentos e aliviar o caixa, com entrada de fundos abutres como Elliott e Strategic Value Partners na dívida da empresa.
- A proposta prevê alongamento dos vencimentos em cinco anos, redução de dois pontos percentuais no cupom e postergação de parte dos pagamentos, mas os principais credores ainda não enxergam incentivos suficientes para aceitar.
- 91% da dívida está em moeda estrangeira, o que concentra o poder de decisão nos bondholders internacionais; a alavancagem é alta, com cerca de 75% da dívida corporativa nas mãos deles.
- A posição de caixa ao fim de março era de R$ 12,7 bilhões, equivalente a 0,9 vez o curto prazo da dívida, aumentando a pressão por liquidez e elevando a possibilidade de medidas cautelares para evitar default.
- Credores já formaram um comitê ad hoc, reunindo gestoras como Capital Group e AllianceBernstein, fortalecendo a posição dos bondholders e indicando que concessões relevantes devem fazer parte de qualquer acordo.
A Braskem está buscando apoio de credores para uma recuperação extrajudicial visando alongar vencimentos e aliviar o caixa, diante de uma crise financeira. Fundos abutres como Elliott Investment Manager e Strategic Value Partners passaram a deter posições relevantes na dívida da empresa. A negociação ganhou complexidade nas últimas semanas.
A empresa enfrenta alta alavancagem — cerca de 75% da dívida está nas mãos de bondholders internacionais — o que confere grande poder de decisão aos credores externos. A deterioração operacional e a necessidade de liquidez elevam a pressão para evitar um default formal.
A Braskem avalia medidas para convencer credores a aceitar mudanças na estrutura de dívida, como adiamento de pagamentos e reduções de juros. Pelo menos parte da dívida total vence nos próximos anos, o que aumenta a criticidade das tratativas.
Contexto financeiro e cenário de mercado
Ao fim de março, a dívida bruta somava US$ 9,4 bilhões, segundo fontes. A maior parte está denominada em moeda estrangeira, fortalecendo o peso dos credores internacionais nas decisões.
O endividamento total, de aproximadamente R$ 62,4 bilhões, tem cerca de 17% vencendo até 2027. Títulos com cupom elevado e vencimentos entre 2028 e 2032 compõem boa parte do passivo sensível aos ajustes propostos.
A posição de caixa da Braskem ficou em R$ 12,7 bilhões no fim de março, equivalente a menos de 1 vez o curto prazo da dívida. Esse nível restringe a folga para imprevistos.
Reação dos credores e dinâmica de negociação
Principais credores não sinalizam incentivos suficientes para aprovar o plano. Indícios indicam resistência significativa principalmente entre bondholders internacionais, com participação de fundos como Elliott e SVP.
A negociação envolve a possibilidade de um comitê ad hoc de credores, reunindo gestoras como Capital Group e AllianceBernstein, para coordenar a posição durante as tratativas. Essa organização aumenta o poder de barganha dos credores.
A proposta preliminar prevê alongamento de vencimentos em cinco anos, redução de 2 pontos percentuais no cupom e postergação de parte dos pagamentos de juros. A avaliação pública aponta assimetrias entre os benefícios para acionistas e custos para credores.
Perspectivas e próximos passos
A Braskem pode optar por medidas cautelares para suspender temporariamente pagamentos durante as negociações, com prazo considerado para evitar a recuperação judicial. O risco de default formal permanece sob observação do mercado.
Entre investidores, a percepção de risco se agravou no mercado de dívida, mesmo diante de uma parte do mercado acionista esperando recuperação operacional. A ação BRKM5 oscila próximo a R$ 7,50, com queda anual de 2% e retração de 21,6% em 12 meses.
Na prática, a aprovação do plano depende da adesão majoritária nas classes de credores atingidas. Enquanto isso, as tratativas seguem com a exigência de concessões relevantes por parte da Braskem para viabilizar qualquer acordo.
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