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Operação Miragem: maior impacto é sobre FGC, afirma professor

Operação Miragem evidencia fragilidades no sistema financeiro; principal impacto recai sobre o Fundo Garantidor de Crédito e custo do crédito pode subir

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  • A Polícia Federal deflagrou, na manhã de 23, a Operação Miragem para desarticular um esquema fraudulento contra o Sistema Financeiro Nacional, ligado à Digimais.
  • O professor Carlos Honorato, da FIA Business School, afirma que o impacto direto é limitado, mas o caso expõe fragilidades no setor.
  • Ele compara o caso ao Caso Master, com demonstrativos contábeis e fundos incompatíveis com a realidade.
  • O principal impacto, segundo Honorato, recai sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que pode ser afetado por garantias vinculadas a investimentos inexistentes.
  • Mesmo com distorções, ele defende a manutenção do FGC, mas alerta que bancos participantes podem ter de aportar mais recursos, elevando custos de crédito e juros; prevê endurecimento de regras de compliance e governança.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem, com o objetivo de desarticular um esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a gestão da instituição Digimais. A ação busca esclarecer delitos relacionados a práticas fraudulentas no âmbito da instituição.

Segundo a análise de especialistas, o caso aponta fragilidades no setor financeiro. O Digimais já apresentava sinais de dificuldades financeiras e, segundo avaliações, um aporte que deveria ter sido feito pelo controlador acabou sendo utilizado como empréstimo. Há semelhanças com o Caso Master, que envolveu demonstrativos contábeis e fundos com valores não condizentes com a realidade.

O principal efeito recai sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), segundo o professor Carlos Honorato, da FIA Business School. O FGC depende do capital de diversos bancos e tem relação direta com o tamanho das instituições filiadas. Bancos de porte médio, diz ele, teriam utilizado o fundo para vincular garantias inexistentes, elevando os riscos por meio de operações de sobrevalorização de ativos e de fundos.

Essa prática pode impor déficits aos credores e exigir aportes adicionais dos bancos participantes, elevando custos de crédito e, consequentemente, as taxas para tomadores. Honorato defende a manutenção do FGC como elemento estável para proteção de depósitos, até o limite de R$ 250 mil, mas ressalta a necessidade de reforço de controles.

Além disso, o especialista considera provável o endurecimento das regras de compliance, governança e prestação de contas para evitar episódios semelhantes. Ele atribui parte das fraudes a um processo de desregulação recente, aliado à expansão de fintechs e à abertura do mercado de crédito para novas instituições, que podem operar com padrões de governança insuficientes.

Honorato critica a lentidão de atuação regulatória e aponta que a PF tem entrado com mais rapidez em casos de fraude, sugerindo maior atuação do Banco Central e de órgãos de controle para identificar irregularidades precocemente. Em sua avaliação, a detecção eficiente depende de fiscalização mais ágil e integrada entre as autoridades.

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