- O Parlamento Europeu, pela Comissão de Assuntos Econômicos, aprovou o projeto do euro digital, emitido pelo Banco Central Europeu, com o euro digital tendo o mesmo valor das notas e moedas em circulação.
- O sistema funcionará como uma carteira digital, com privacidade das transações e modo offline em condições similares ao dinheiro físico; pagamentos poderão ser feitos por lojas, pela internet ou entre pessoas, via cartões, apps ou smartphones.
- O objetivo é ampliar a soberania financeira da zona do euro e reduzir a dependência de sistemas de pagamento controlados por empresas fora da Europa.
- Bancos resistem ao projeto, temendo perda de receitas; estudo da Federação Bancária Europeia aponta custo de cerca de 18 bilhões de euros para o setor, enquanto o BCE estima despesas entre quatro e cinco vírgula oito bilhões de euros.
- O texto segue para negociações entre parlamentares, governos e Comissão Europeia, com previsão de conclusão até o fim deste ano; fase de testes em 2027, piloto de 12 meses e disponibilidade para toda a zona do euro em 2029.
O Parlamento Europeu aprovou, nesta semana, o avanço do euro digital, uma moeda eletrônica emitida pelo Banco Central Europeu (BCE). A decisão acontece após a Comissão de Assuntos Econômicos do PE apoiar o projeto, com objetivo de ampliar a soberania financeira da zona do euro. A iniciativa busca reduzir a dependência de sistemas de pagamento controlados por firmas estrangeiras.
O euro digital funcionará como uma versão eletrônica da moeda comum, mantendo o mesmo valor das notas e moedas. Diferente de criptomoedas, será totalmente garantido pelo BCE. Usuários poderão abrir carteiras digitais via bancos autorizados e fazer pagamentos em lojas, online ou entre pessoas.
A proposta afirma que o dinheiro em espécie não será substituído, permanecendo como opção existente. O BCE sustenta que a infraestrutura europeia de pagamentos criará maior autonomia financeira para a região, além de oferecer privacidade e operação offline similar ao dinheiro físico.
Dependência representa vulnerabilidade estratégica
Atualmente, dois terços das transações com cartões na zona do euro passam por empresas fora da UE. Além disso, 13 dos 21 países da moeda única não possuem sistemas nacionais completos para pagamentos diários, elevando a preocupação com a vulnerabilidade externa.
Bancos europeus têm resistência expressiva ao projeto, temendo queda de receitas e de depósitos. Estimativas apontam custos de adaptação entre 4 e 5,8 bilhões de euros para o sistema financeiro, enquanto estudos de entidades do setor falam em até 18 bilhões de euros. A banca ressalta concorrência com iniciativas privadas locais.
O BCE argumenta que o euro digital evitará retiradas maciças de depósitos e manterá estabilidade financeira, mesmo em crises. Também promete salvaguardas de privacidade, incluindo possibilidade de transações sem identificação direta dos usuários e opções de uso offline.
Passos seguintes e prazos
Com a aprovação na comissão, os parlamentares devem abrir negociações com governos nacionais e a Comissão Europeia. O objetivo é concluir a tramitação até o fim do ano. Se aprovado, o BCE planeja iniciar testes no segundo semestre de 2027, seguido de um piloto de 12 meses.
A previsão é que o euro digital fique disponível para toda a população da zona do euro em 2029. Entidades de defesa do consumidor saudaram o avanço, destacando maior privacidade e gratuidades para usuários finais.
Caso o projeto avance, o euro digital representará uma transformação relevante no sistema financeiro europeu, ampliando a autonomia tecnológica e econômica da União Europeia. As informações sobre resultados dependem das próximas negociações e da aprovação final.
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