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Produtos florestais não-madeireiros mostram desenvolvimento aliado à conservação

Estudo mostra que produtos florestais não-madeireiros elevam renda e reduzem desigualdade em comunidade amazônica, mantendo a floresta em pé

Duas pessoas usando luvas e toucas selecionam castanhas sobre uma mesa de triagem em um ambiente de processamento de alimentos.
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  • Estudo realizado ao longo de vinte anos em São Francisco do Iratapuru, Amapá, mostra que comunidades extrativistas conseguiram aumentar renda acima da inflação e reduzir desigualdade sem desmatamento significativo.
  • O foco foi em produtos florestais não-madeireiros (PFNM), como castanha-do-pará, açaí e cacau, que contribuem para a alimentação, medicina e cosméticos, preservando a floresta.
  • Três estratégias foram-chave: infraestrutura produtiva (fábricas de processamento e capacitação), compra garantida dos produtos pelas autoridades ou empresas, e desenvolvimento de governança local (cooperação e cotas de venda).
  • A floresta permaneceu praticamente intacta, com cobertura da reserva mantida em níveis próximos de cem por cento; vizinho, Laranjal do Jari, também manteve alta cobertura, mas com desmatamento registrado.
  • A iniciativa levou à criação de valor agregado, maior produtividade e melhoria no acesso a bens e serviços, fortalecendo a economia local sem abandonar a conservação ambiental.

Pelo menos 20 anos de intervenções voltadas aos produtos florestais não-madeireiros moldaram a vida de comunidades extrativistas no norte do Brasil. Em São Francisco do Iratapuru, Amapá, a renda das famílias vem crescendo acima da inflação, sem aumento da desigualdade, mantendo a floresta em pé.

A pesquisa avaliou impactos de PFNM — óleos, frutos, sementes, folhas, cascas, resinas e até pirarucu — em uma comunidade com quase 50 famílias. Benefícios aparecem em bens de consumo, serviços públicos e bem-estar, com a floresta preservada.

A análise enfatiza como a bioeconomia da sociobiodiversidade pode conciliar desenvolvimento humano e conservação. O estudo é assinado por pesquisadores da USP, com orientação de Jacques Marcovitch, da FEA.

Bioeconomia da sociobiodiversidade

A vila de São Francisco do Iratapuru fica no sul do Amapá, região com grande cobertura florestal. Os resultados do estudo indicam que, entre 1997 e 2020, houve aumento de renda e melhoria no acesso a bens, sem derrubar a floresta local.

Segundo Rosenfeld, a conservação permaneceu estável: a reserva manteve quase toda a cobertura, enquanto o município vizinho mostrou desmatamento mínimo. As mudanças ocorreram sem prejuízo ambiental.

Três estratégias foram destacadas: infraestrutura produtiva para processamento de castanha, contratos de compra garantida e governança local. Essas ações criaram cooperativas e cotas de venda, elevando valor agregado.

Desdobramentos e mecanismos

A oferta estável de compra garantida proporcionou preços justos e previsibilidade para os produtores. A capacitação e o apoio público e privado ampliaram a produtividade e a renda, ao mesmo tempo em que reduziram a desigualdade.

A experiência de São Francisco do Iratapuru inspira políticas de desenvolvimento local com foco em PFNM. O objetivo é manter a floresta em pé, assegurando renda às comunidades tradicionais.

Conquistas e fontes de apoio

O estudo contou com apoio de Fapesp, Ernst Ludwig Ehrlich Studienwerk e do INPA. A publicação foi publicada na Ecological Economics, destacando o caráter piloto da experiência na Amazônia brasileira.

A pesquisa reforça a relação entre conservação e melhoria de qualidade de vida, evidenciando caminhos para ampliar o aproveitamento sustentável de recursos não madeireiros.

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