- A área de Recursos Humanos passa a ser cobrada por resultados de negócio, conectando gestão de pessoas ao desempenho da empresa.
- Estudo Engaja S/A 2025 aponta perdas de cerca de R$ 77 bilhões por ano no Brasil devido a rotatividade e desengajamento.
- Engajamento caiu ao menor nível histórico: 39% dos trabalhadores, com queda de executivos (de 72% para 65%) e da média da gestão (de 54% para 49%).
- Falta de dados que traduzam ações de RH em resultados leva profissionais a buscar formação prática e aplicações que gerem impacto mensurável.
- Iniciativas como a HR Lab, liderada por Rafael Giupponi, discutem liderança, recrutamento, cultura e experiência do colaborador, com foco na aplicação no resultado.
O mercado de trabalho vive uma mudança na atuação de Recursos Humanos. A cobrança por resultados diretos, como atração, retenção de talentos e desenvolvimento de líderes, já não é apenas meta interna. Ela passa a ser medida pelo impacto no desempenho do negócio. Estudos indicam perdas significativas quando o engajamento cai.
Um levantamento com 5.397 profissionais, entre junho e agosto de 2025, aponta queda do engajamento ao menor nível histórico, com apenas 39% dos trabalhadores se declarando engajados. A liderança registra queda mais acentuada, indo de 72% para 65% no mesmo período, e a média da gestão cai de 54% para 49%.
A situação pressiona o RH a participar mais das decisões estratégicas. Sem dados que correlacionem ações da área ao desempenho, o setor perde influência e encontra demanda por formação prática que traduza gestão de pessoas em indicadores para a alta direção.
Para Áurea Santos, especialista com mais de 25 anos na área, a virada já está no dia a dia das equipes. O gestor atual não é avaliado apenas pela quantidade de iniciativas, e sim pelo impacto no resultado. Liderança, retenção e desenvolvimento tornaram-se temas de diretoria, não apenas de RH.
O desafio também aparece na formação profissional. A lacuna entre teoria e prática dificulta demonstrar, numericamente, o efeito das ações de gestão de pessoas. Nesse contexto, surgem propostas de educação voltadas à aplicação prática para sustentar o desempenho.
Entre as iniciativas, destaca-se a HR Lab, escola de conteúdos sob demanda criada por Rafael Giupponi, CEO da InCicle e porta-voz do RH Extraordinário. O objetivo é oferecer aulas gravadas com acesso contínuo para conectar teoria a resultados.
Giupponi acompanha a demanda por aprendizado aplicado, com foco em como resolver problemas reais de negócios. A proposta é transformar conhecimento em ações que contribuam para o desempenho organizacional, não apenas para a teoria.
A grade da HR Lab aborda lideranças, recrutamento, cultura organizacional, desenvolvimento humano, experiência do colaborador, gestão de carreira, treinamento e performance, sempre com foco na aplicação prática.
Entre os temas de liderança, a discussão envolve a evolução do papel do líder, do operacional ao estratégico, e o conceito de liderança em construção. Em recrutamento, a área é incentivada a ampliar atuação para espaços mais executivos e reduzir erros de contratação.
A cultura organizacional é abordada a partir de padrões implícitos que moldam comportamentos. Já o desenvolvimento humano foca em conectar treinamento aos objetivos do negócio, com foco em mobilidade interna.
Dimensões femininas em RH ganham espaço, com debates sobre visibilidade e reconhecimento. Outros tópicos incluem gamificação, experiência do colaborador como estratégia de negócio, atuação global do RH e gestão de riscos psicossociais, atualizados pela norma vigente.
Para Giupponi, o futuro da área depende de integrar pessoas, estratégia e resultado. A capacidade de unir comportamento humano e desempenho facilita a tomada de decisão, enquanto o RH que apenas descreve problemas perde espaço para quem entrega soluções mensuráveis.
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