- Em 2026, a IA passa a ter comando direto no topo: 72% dos presidentes são os principais tomadores de decisão sobre IA, o dobro de 2025; os investimentos em IA chegam a 1,7% da receita, e 94% manterão o aporte mesmo sem retorno imediato.
- A IA deixa de ser projeto de TI e passa a estratégia de negócio, liderada pelos CEOs.
- O estudo identifica três perfis de liderança: Pioneiros (≈ 15%), Pragmáticos (≈ 70%) e Seguidores (≈ 15%), o que explica diferenças no ritmo de adoção.
- Regra 10-20-70 orienta projetos: 10% do esforço vai para algoritmos, 20% para infraestrutura e 70% para gestão de mudança (pessoas, processos, cultura).
- No Brasil, a tendência é automação de canais de atendimento, com exemplos como o Grupo Elfa, que usa IA para eficiência, redução de custos e aumento de faturamento.
O conjunto de dados do BCG AI Radar 2026 indica que a IA deixou o status de projeto isolado para tornar-se foco direto das decisões da cúpula. Em 2025, as organizações exploraram a IA; em 2026, há virada para uma transformação guiada pelo topo executivo.
A pesquisa mostra aumento expressivo nos investimentos em IA, que passaram de 0,8% da receita para 1,7% em 2026. Além disso, 94% das empresas pretendem manter aporte mesmo sem retorno financeiro imediato durante o ano.
Em 2026, o papel do CEO ganha relevância decisiva. Setenta e dois por cento dos presidentes afirmam liderar as decisões sobre IA, o dobro do ano anterior. Metade dos CEOs acredita que manter o emprego depende de acertar a estratégia de IA da empresa.
Três velocidades de liderança
O estudo identifica três perfis de liderança executiva. Pioneiros (cerca de 15%) investem com foco, destinando parte relevante do orçamento para requalificação e para agentes autônomos. Pragmáticos (cerca de 70%) reconhecem o valor, porém com cautela financeira. Seguidores (cerca de 15%) estão mais atrasados e sob pressão de mudanças.
Juan Maglione, do BCG, aponta falhas de 2025: excesso de projetos conceituais sem escala. Ele afirma que o impacto financeiro surge quando soluções saem da fase piloto e atingem escala. Outro erro comum é tratar IA como projeto de tecnologia, quando é de negócios, segundo o consultor.
A regra 10-20-70 é citada: 10% de esforço em algoritmos, 20% em infraestrutura e 70% em gestão da mudança, pessoas e cultura. O objetivo é transformar tecnologia em vantagem competitiva, não apenas realizar testes.
Agentes autônomos: a nova fronteira
Em 2026, a atenção se volta para agentes de IA que atuam de forma autônoma. O orçamento dedicado a essas ferramentas supera 30% do total de IA, refletindo otimismo de que essas soluções gerem retorno rápido. Os Pioneiros lideram essa frente, com expectativa de retorno financeiro em curto prazo.
Maglione ressalta que o retorno depende de onde o capital é aplicado: deploy, reshape ou reinvent. Segundo ele, os resultados aparecem principalmente quando recursos são voltados à remodelação de unidades ou à reinvenção do modelo de negócios.
Disciplina na prática brasileira
O Grupo Elfa, atuante no setor de saúde, é citado como exemplo de aplicação disciplinada da IA. O CEO e CIO, J.R. Ferraz, destaca que iniciativas devem depender de aprovação colegiada e foco em geração de caixa, margem, redução de custos ou simplificação de rotinas. A empresa investe com base na regra 10-20-70 para priorizar impactos de negócio.
Ferraz comenta que a atuação em saúde não é obstáculo, pois compliance e governança são ativos da companhia, com certificações como ISO 37001 e o selo Pró-Ética. Parcerias frequentes ajudam a apoiar o desenvolvimento do setor.
Onde o Brasil se encaixa
Regionalmente, Maglione observa que o Brasil avança mais lentamente rumo à automação de ponta. Enquanto Ásia e EUA avançam para agentes de IA que automatizam processos inteiros, o Brasil foca na automação de canais de atendimento, com uso intenso de WhatsApp. A visão é de que o país ainda está na fase de canal de atendimento.
Encerrando, o estudo indica que o ciclo de experiments ficou para trás. A IA agora é visto como instrumento de sobrevivência corporativa. Empresas com disciplina orçamentária, foco em escala e liderança do topo tendem a liderar a transformação ou permanecer fora do caminho.
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