- Os CRAs da Raízen, que estavam entre os mais negociados no mercado secundário, caíram bastante durante a crise, chegando a cerca de 34,4% do PAR em março e 33,3% em abril; em junho, subiram para 43,11% do PAR.
- Em maio houve leve alta, mas o nível permanece bem abaixo do valor original, refletindo o alto risco percebido pelos investidores.
- O plano de recuperação extrajudicial foi formalizado no início de junho, e mais de 80% dos credores aderiram, o que gerou otimismo sobre a reorganização operacional da empresa.
- A negociação ainda é dominada por investidores institucionais, com o mercado secundário ocorrendo principalmente no balcão; venda por pessoa física tende a enfrentar descontos maiores.
- Especialistas destacam que, apesar da elevação recente, comprar CRAs da Raízen continua sendo uma operação de alto risco, e apenas quem pode esperar pelos desfechos da reestruturação pode considerar vantagens em manter ou vender os papéis.
O processo de recuperação extrajudicial da Raízen, envolvendo cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, afetou o mercado de dívida privada. Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da empresa perderam valor no mercado secundário e voltaram a subir, ainda longe do preço original.
Um levantamento da Pop BR, precificadora da LUZ Soluções Financeiras, mostra que, em março, diante do pedido de recuperação, os CRAs operavam em média a 34,4% do PAR. Em abril, o recuo foi para 33,3%; em maio houve leve recuperação e, em junho, atingiram 43,11%.
O desempenho reflete a percepção de risco. Em termos práticos, o PAR é o valor nominal definido no contrato. Um CRA a 43% do PAR implica perda expressiva frente ao valor de emissor, mas quem comprou no ápice da crise pode ter visto variação favorável.
Apesar da recuperação recente, analistas lembram que esse tipo de negociação é majoritariamente restrito a investidores institucionais. Em cenários de calotes, corretoras reduzem o interesse de compra, elevando descontos para quem precisa vender.
A negociação ocorre no chamado mercado de balcão, com contatos entre instituições financeiras. Investidores que desejam sair antes do vencimento geralmente vendem a baixo preço para fundos, tesourarias e outros compradores institucionais.
Para investidores de varejo, a alternativa é mais restrita. Especialistas destacam que o investimento em CRAs envolve riscos elevados, com perdas potencialmente maiores em cenários de estresse de crédito.
Quem opera com CRAs, debêntures ou CRIs costuma observar o contexto de recuperação extrajudicial da Raízen. A crise exerceu pressão adicional sobre preços e volumes negociados no período.
A reestruturação em avaliação envolve a conversão de parte da dívida em participação acionária e alongamento de pagamentos. Esse desenho pode reduzir incentivos para venda com desconto elevado, segundo especialistas.
Para quem não pode esperar, a venda a 43% do PAR é vista como uma opção imediata. Já quem pode aguardar o desfecho pode considerar manter os ativos, em função de prazos revisados na reestruturação.
Em resumo, a melhoria recente no mercado secundário dos CRAs da Raízen reflete o avanço do plano de reestruturação e adesão de credores. Contudo, instituições alertam sobre volatilidade e riscos persistentes para o investidor.
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