- O dólar fechou em R$ 5,20, maior nível de fechamento desde 30 de março, após alta pela segunda sessão consecutiva.
- A sessão mostrou alta de 0,28% ante o real, com a moeda negociada perto de R$ 5,22 pela manhã.
- Fatores externos pesaram: o dólar forte é incentivado pela expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, enquanto o petróleo recua, reduzindo a atratividade do “carry trade” com o real.
- O índice dólar (DXY) ficou em torno de 101,6 pontos, próximo de máximas em mais de um ano.
- O Banco Central informou que o fluxo cambial de junho está positivo, em US$ 8,196 bilhões até o dia 19, com entradas de US$ 6,697 bilhões pelo comércio exterior e US$ 1,498 bilhão pelo canal financeiro.
O dólar fechou o dia em R$ 5,20, alta de 0,28%, em sessão marcada pela segunda valorização seguida ante o real. Sem indicadores locais de peso, o mercado acompanhou o viés externo de fortalecimento da moeda americana, impulsionado pela perspectiva de alta de juros nos EUA.
O petróleo recuou por terceiro dia consecutivo, o que, segundo analistas, reduz a atratividade do chamado trade petróleo‑moeda. O dólar atingiu pico matutino de R$ 5,2212 e encerrou em R$ 5,2020, o maior fechamento desde 30 de março.
Fatores que pesam sobre o câmbio
Analistas destacam a visão de que o Fed pode subir juros, enquanto o Copom sinalizou flexibilidade para nova redução da Selic, abrindo espaço para volatilidade cambial. O DXY ficou próximo de 101,6 pontos no fim da tarde, após tocar 101,8.
Segundo o head de internacional e câmbio da Mirae Asset, Jonathan Joo Lee, não houve fatores domésticos relevantes. A avaliação é de que o contexto externo pressiona o real, ainda mais com a expectativa de juros americanos.
O Dollar Index acumula ganho de cerca de 3,3% no ano e 2,7% em junho, refletindo a força do dólar frente a várias moedas. Enquanto o petróleo cai, moedas ligadas a commodities sofrem menos, mas o real segue entre as mais sensíveis.
Contexto de curto prazo
As negociações entre EUA e Irã contribuíram para a queda de preço do petróleo, influenciando o humor do mercado. O Brent, contrato para setembro, recuou para US$ 73,87 o barril, enquanto o WTI para agosto caiu para US$ 70,34.
O superávit de fluxos cambiais verificado em junho, com entradas totais de US$ 8,196 bilhões até o dia 19, reforça o viés de liquidez externa. No entanto, o câmbio permanece vulnerável a movimentos de dólares e a riscos globais.
Bruno Yamashita, coordenador de alocação na Avenue, aponta rotação de carteiras para emergentes ligados à IA, o que favorece moedas de alguns países e prejudica o real, aliado à queda do petróleo e ao efeito do ajuste monetário global.
Entre na conversa da comunidade