- A geração de energia a carvão na China deve subir entre 1,5% e 2% em 2026, chegando a 5,4 trilhões de kWh, segundo S&P Global Energy e Wood Mackenzie.
- Em 2025, o carvão respondeu por 51,4% da matriz energética, com renováveis ganhando share e o papel do carvão reduzindo pela primeira vez em uma década.
- Nos primeiros cinco meses de 2026, o uso de energia térmica aumentou 3,4% ante o mesmo período de 2025, totalizando 2,53 trilhões de kWh.
- A demanda maior por energia, o El Niño e a guerra no Irã ajudam a sustentar o aumento do carvão, já que as renováveis não acompanham o ritmo.
- A geração a gás deve recuar cerca de 12% em 2026, para 300 bilhões de kWh, conforme a China reduz compras de gás natural liquefeito para conter custos.
A geração de energia a carvão na China deve voltar a crescer em 2026, após a primeira queda em uma década. Analistas atribuem o recuo aos impactos do El Niño, ao conflito no Irã e à fraca performance das fontes renováveis frente à demanda.
Dados divulgados pelo departamento de estatísticas mostram que a China, maior consumidora mundial de energia, elevou o uso de energia térmica em 3,4% nos primeiros cinco meses deste ano, para 2,53 trilhões de kWh. A maior parte dessa energia vem do carvão, com pequena parcela de gás.
As consultorias S&P Global Energy e Wood Mackenzie projetam aumento da geração a carvão entre 1,5% e 2% em 2026, chegando a cerca de 5,4 trilhões de kWh. A Kpler aponta crescimento de ~3% no consumo de carvão no setor elétrico, para 2,7 bilhões de toneladas.
A S&P espera queda de 12% na geração a gás, para 300 bilhões de kWh, à medida que a China reduz importações de LNG para mitigar custos ligados ao bloqueio no Estreito de Ormuz. A mudança pode ampliar a demanda por carvão para atender a picos de consumo.
Segundo a Azure International, o gás tende a atuar como fornecedor de carga de pico, utilizado apenas quando a demanda atinge picos. O carvão, portanto, ganharia espaço adicional para suprir a demanda durante períodos de maior consumo.
O aumento do uso de carvão ocorre em meio ao desafio de descarbonização do setor elétrico chinês. Apesar da meta de neutralidade até 2060, a eletrificação do transporte, dos data centers e a demanda de ar-condicionado acompanham o crescimento anual.
Autoridades apontam que o El Niño pode reduzir chuvas nas hidrelétricas do sudoeste, elevando a demanda por combustíveis fósseis em províncias como Guangdong, Jiangsu e Zhejiang. Analistas alertam para maior dependência de carvão em momentos de pico.
As renováveis cresceram rápido desde 2020, quando Xi Jinping anunciou metas ambiciosas. Em 2024, a capacidade de eólicas e solares já superou o carvão. Em 2025, a participação do carvão caiu para 51,4% da geração, segundo o Agora Energy.
Especialistas ressaltam que, para reduzir fósseis neste ano, o crescimento das energias limpas precisa superar o avanço da demanda. No entanto, o ritmo de expansão renovável desacelerou em 2026, em razão de fraca geração eólica e menor instalação de novas obras.
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