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Governo avalia US$ 1,65 bi para processar terras-raras no Brasil

Governo estima investimento de US$ 1,65 bi em planta de terras-raras, com retorno que varia conforme políticas públicas, entre 11,8% e 31% ao ano

Extração, em Minaçu (GO), de elementos essenciais à fabricação de ímãs permanentes, usados em veículos elétricos
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  • Estudo do Ministério de Minas e Energia aponta custo de US$ 1,65 bilhão para instalar uma planta de processamento de terras-raras no Brasil, sem subsídios.
  • O custo operacional anual ficaria em cerca de US$ 525 milhões, considerando uma planta de 25 mil toneladas anuais de óxidos de terras-raras.
  • o Brasil tem potencial adicional estimado em 38,7 mil toneladas de terras-raras, equivalente a aproximadamente 10% da produção mundial prevista para 2025.
  • Retorno ao acionista varia conforme cenário: 11,8% ao ano no conservador; 16,5% com incentivos públicos; 31% com garantias de preço/demanda, com payback de cerca de quatro anos.
  • Estratégia em três horizontes: curto prazo destravar a cadeia; médio prazo ampliar capacidade e valor agregado; longo prazo integrar cadeias globais e incentivar reciclagem e políticas de conteúdo nacional.

O governo brasileiro avalia, em estudo inédito, um investimento de US$ 1,65 bilhão para instalar uma planta de processamento de terras-raras no Brasil. O levantamento foi apresentado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Elaborado pelo Cebri com financiamento do BID, o relatório não envolve programas de subvenção. O objetivo é orientar a formulação de uma estratégia nacional para o setor, considerando custos e possíveis retornos.

Além do custo inicial, o estudo projeta gasto operacional anual de cerca de US$ 525 milhões para manter a planta em funcionamento, baseado em um cenário hipotético de 25 mil toneladas anuais de óxidos de terras-raras (TREO).

O Brasil tem potencial adicional estimado em cerca de 38,7 mil toneladas de TREO, volume equivalente a aproximadamente 10% da produção mundial prevista para 2025, segundo a pesquisa. A mineração, concentração e beneficiamento já são considerados competitivos no país.

Cenários de retorno e incentivos

A modelagem avalia a operação ao longo de 20 anos em três cenários distintos. No cenário conservador, com preços da China e tributação vigentes, o retorno ao acionista seria de 11,8% ao ano, com payback em pouco mais de dez anos.

Com incentivos públicos, como subvenção parcial, depreciação acelerada e alívio tributário, o retorno subiria para 16,5% ao ano, mantendo preços chineses. Em cenário externo à China, com garantias de preço e demanda, o retorno alcançaria 31% ao ano, com payback de cerca de quatro anos.

O estudo ressalta que a diferença entre viabilidade e inviabilidade não está no subsolo brasileiro, mas nas escolhas de política pública, segundo o documento.

Estratégia de desenvolvimento em três horizontes

O relatório defende uma trajetória gradual, com foco em adensamento produtivo. No curto prazo, prioriza destravar a cadeia e garantir matéria-prima, pois o Brasil ainda amadurece upstream como mineração e beneficiamento.

No médio prazo, o objetivo é ampliar a capacidade de separação e refino, avançar para metais e magnetos, além de criar hubs regionais de processamento e fortalecer a integração com defesa, mobilidade elétrica e energia renovável.

No longo prazo, a meta é integrar o Brasil a cadeias globais de maior valor, com maior circularidade, reciclagem e aumento de produção de componentes avançados, fortalecendo políticas de conteúdo nacional e compras públicas.

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