- Estudo do Tribunal Superior do Trabalho aponta que combustível representa cerca de metade dos custos dos motoristas de aplicativo, com gasto médio superior a R$ 2,5 mil por mês.
- O tema foi apresentado pelo juiz auxiliar da presidência do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, Rodrigo Trindade, em debate com jornalistas sobre as conclusões da pesquisa.
- O levantamento busca entender os custos do trabalho por aplicativo para parametrizar uma renda razoável e não apenas a renda bruta informada pelos trabalhadores.
- O estudo ressalta que, no Brasil, há cerca de 1,7 milhão de profissionais plataformizados, o que corresponde a 1,9% da população ocupada no setor privado; o aumento é expressivo entre 2022 e 2024.
- O magistrado defende regulamentação com padrões mínimos, remuneração transparente pelas plataformas e, ao STF, aguarda confirmação da competência da Justiça do Trabalho para classificar a relação de trabalho, seja como autônomo, empregado ou híbrido.
O juiz Rodrigo Trindade, auxiliar da presidência do CSJT, discutiu, nesta terça-feira, no CB.Poder, a pesquisa do TST sobre custos enfrentados por motoristas de aplicativos e a necessidade de normativas específicas para esses trabalhadores. O estudo traça os gastos médios com o trabalho na plataforma.
Segundo o TST, o combustível representa cerca de metade dos custos fixos dos motoristas, ultrapassando R$ 2,5 mil mensais. O levantamento analisou despesas associadas à atividade e o impacto dessas despesas na renda líquida.
A produção, realizada pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do TST, busca mapear custos e estabelecer parâmetros para uma renda razoável ao fim do mês.
Custos e impacto no trabalhador
O estudo aponta que o combustível é o elemento mais significativo entre as despesas, com média brasileira que sugere a necessidade de regulação das condições de atividade. A partir disso, busca-se entender a viabilidade financeira dos motoristas.
Trabalhadores de plataformas somam cerca de 1,7 milhão no Brasil, o que representa 1,9% da força de trabalho privada. Entre 2022 e 2024 houve alta de 25% nesse segmento, elevando preocupações sobre fiscalização, tributação e Previdência.
Regulação e julgamento no STF
Trata-se de uma discussão sobre padrões mínimos de remuneração, transparência na remuneração pelas plataformas e critérios para classificação de vínculo. A regulamentação é vista como essencial para evitar prejuízos à prestação do serviço.
O Judiciário vê com especial atenção a decisão prevista pelo STF sobre a uberização. A expectativa é confirmar a competência da Justiça do Trabalho para dirimir questões envolvendo relação de trabalho, inclusive em cenários híbridos entre autônomo e empregado.
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