- O Brasil ficou em 45º lugar no ranking global de doações, destinando 0,9% da renda.
- A Nigéria lidera, com 2,8% da renda destinada a causas sociais; oito dos dez países com maior doação ficam na África e dois na Ásia.
- Globalmente, 61% dos entrevistados fazem doações; no Brasil, o percentual é de 59%, abaixo de 2024 (62%).
- Entre as motivações, 31% apoiam ações religiosas, 29% crianças/jovens e 29% combate à pobreza; pertencimento comunitário subiu para 32% e a ideia de dever coletivo passou de 39% para 48%.
- Há espaço para aumento das doações no Brasil, se houver maior transparência e apoio de governos ou empresas, segundo o estudo.
O estudo World Giving Report 2026 mostra que as populações dos países mais pobres doam mais parcela de renda para causas sociais, humanitárias e religiosas. O levantamento é um dos principais referentes globais sobre filantropia. No Brasil, a prática não aparece entre as maiores.
A pesquisa aponta que oito dos dez países com maior propensão de doação ficam na África, com Nigéria liderando, ao doar 2,8% da renda individual. Dois países asiáticos completam o Top 10. O Brasil fica em 45º lugar, com 0,9% da renda dedicada a doações.
Ranking e comparação regional
Entre América Latina e EUA, o Brasil supera Argentina (0,6%) e Uruguai (0,4%), este último com a menor média da região. Os hondurenhos aparecem acima do Brasil na comparação regional, com 1% da renda destinada a doações.
A distribuição por continente indica que 68% dos entrevistados da Ásia doam, 67% na África e 50% na América do Sul. Em termos de proporção de renda, a África lidera com 1,6%, enquanto a Europa fica em 0,6%.
Globalmente, 61% dos entrevistados efetuaram alguma doação. No Brasil, a parcela foi de 59%, queda frente a 2024, quando haviam 62% de doadores.
Motivações, causas e perfil do doador brasileiro
Entre as motivações, causas religiosas aparecem em 31% das doações, seguidas por ações para crianças e jovens e pelo enfrentamento da pobreza (ambas com 29%). O sentimento de pertencimento comunitário subiu para 32% em 2025, e a visão de doação como dever coletivo subiu de 39% para 48%.
Segundo Luisa Gerbase de Lima, do IDIS, a confiança institucional, a transparência e fatores políticos influenciam as decisões de doação no Brasil. Ela cita que emergências climáticas mobilizaram doações significativas em 2024, como enchentes no Rio Grande do Sul, além de seca e incêndios na Amazônia e no Pantanal; 2025 teve menos problemas climáticos.
A pesquisa aponta que há um novo perfil de doador no Brasil, mais consciente e atento à transparência e ao impacto das doações. Mesmo assim, o estudo indica potencial de incremento, desde que haja apoio governamental e empresarial.
Metodologia e fontes
O World Giving Report 2026 é elaborado pela Charities Aid Foundation (CAF) e conta com entrevistas de mais de 60 mil pessoas em 105 países. No Brasil, a CAF atua por meio do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS).
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