- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, uma carta de intenções sobre lançar títulos da dívida pública em yuan.
- A medida é apresentada como sinal aos Brics para avançar na desdolarização e estreitar a parceria com a China.
- O Brasil pretende captar ao menos US$ 735 bilhões — ou 5 bilhões de yuans — na primeira emissão, sem data definida.
- Durigan informou que já captou 5 bilhões de euros na Europa; a emissão na China também deve ficar até 5 bilhões.
- Os chamados títulos panda integram a estratégia chinesa de internacionalizar o yuan e reduzir a hegemonia do dólar, durante o Fórum de Finanças Verdes Brasil-China.
O Brasil avançou com um projeto inédito para emitir títulos da dívida pública em yuan. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou nesta quinta-feira (25) ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, uma carta de intenções sobre a iniciativa. A cerimônia ocorreu durante a visita de Durigan à China, em Xangai, para o Fórum de Finanças Verdes Brasil-China.
Durigan afirmou que a novidade funciona como sinal aos BRICS para ampliar a cooperação e indicar uma disposição de desdolarização, no contexto de tensões entre Estados Unidos e China pela liderança da economia global. A declaração foi reiterada em entrevista à Reuters, publicada hoje.
O ministro destacou o cenário de atritos com a perda de fôlego da hegemonia do dólar, ampliado pela possibilidade de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros anunciadas sob a administração Trump. Segundo ele, o Brasil busca diversificar fontes de funding e reduzir dependência de moedas tradicionais.
Em relação aos números, Durigan disse que o Brasil pretende captar ao menos US$ 735 bilhões na primeira emissão, equivalentes a 5 bilhões de yuans, embora a data ainda não tenha sido definida, pois o governo quer aguardar o melhor momento de mercado. Também citou captação de 5 bilhões de euros na Europa para a operação.
Quanto aos títulos, chamados panda, o Brasil participou de uma iniciativa chinesa para internacionalizar o yuan e enfrentar a dominância do dólar. A adesão brasileira ocorre durante a participação de Durigan no Fórum e é apresentada como parte de uma estratégia de soberania financeira, segundo o ministro.
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