- A dívida pública é de cerca de 80% do PIB e cresce em torno de quatro pontos percentuais ao ano, enquanto o governo amplia gastos fora do arcabouço fiscal.
- Taxas de juros elevadas estão sendo financiadas, com juros reais de longo prazo acima de 8,5% e juros prefixados próximos de 14,5% a 15,0%.
- Em leilões de rolagem de títulos, as taxas sobem a cada operação, sinalizando deterioração fiscal e queda de credibilidade para 2025 e além.
- Projeções de crescimento têm sido influenciadas por medidas de estímulo, com revisões de 2026 para cima e de 2027 para baixo, sugerindo impulso fiscal temporário.
- Especialistas alertam para riscos de repetir erros do passado, dependendo de ajuste fiscal efetivo após as eleições e de manter credibilidade macroeconômica a longo prazo.
A expansão econômica alimentada por estímulos fiscais tem gerado a sensação de prosperidade, mas sinais de deterioração fiscal e juros elevados indicam riscos para os próximos anos. A dívida pública já está em 80% do PIB e cresce acima de 4 pontos percentuais ao ano.
A cada leilão de rolagem de títulos, taxas mais altas aparecem, não apenas refletindo o cenário atual, mas alimentando dúvidas sobre o caminho econômico após as eleições. A percepção de melhora fiscal, defendida pelo governo, contrasta com números que apontam o contrário.
O relatório aponta juros reais de longo prazo acima de 8,5% e juros prefixados na casa de 14,5% a 15,0%, indicando custo elevado do dinheiro e pressão sobre investimentos. Esses dados ampliam a parcela de dúvidas sobre a sustentabilidade da trajetória fiscal.
Dados recentes mostram que o governo continua aumentando gastos, ao mesmo tempo em que os classifica fora do arcabouço fiscal, buscando impacto temporário na percepção de agentes econômicos. A prática levanta dúvidas sobre o real ajuste fiscal.
As projeções do Focus para o crescimento do PIB em 2026 mostraram revisão para cima com novos anúncios de estímulos. Em 2027, porém, as estimativas viram na direção oposta, sugerindo que o impulso fiscal pode ser transitório.
Segundo especialistas, o efeito iludório do crescimento impulsionado pelo gasto público tende a inflar temporariamente o crescimento potencial, enquanto o endividamento tende a aumentar sem fonte permanente de financiamento. Isso eleva riscos institucionais a longo prazo.
Há preocupação com a credibilidade da política econômica. Pesquisas indicam que a confiança na política monetária pode sofrer abalos se o governo não entregar um ajuste estrutural sólido na virada de governo, mantendo o país exposto a choques futuros.
O texto questiona ainda se haverá novo retrabalho de ajuste após as eleições, lembrando episódios passados em que ajustes tardios impactaram a governabilidade e a economia. O objetivo permanece o mesmo: reduzir a vulnerabilidade fiscal de forma sustentável.
Este é um panorama sobre como estímulos fiscais e dívida afetam o câmbio de curto prazo, o custo do crédito e a confiança institucional. As informações constam das análises da Jubarte Capital, com coautoria de Luiz Fernando Figueiredo e Ben Mandel.
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