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Conta laranja passa na biometria e pode deixar rastro nos tribunais

Contas laranjas aprovadas na biometria podem deixar rastro em tribunais; estudo aponta que dados judiciais ajudam a prever risco

Mulher sendo reconhecida por biometria facial
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  • Biometria facial e a verificação de documentos confirmam identidade, mas nao respondem como a conta será usada depois de aberta.
  • Conta laranja pode ser alugada, cedida ou usada como fachada para receber golpes, mesmo com CPF/CNPJ verdadeiros, passando pelos controles de cadastro.
  • Estudo da Silverguard analisou quatro mil documentos entre outubro de dois mil e vinte cinco e março de dois mil e vinte seis, com quarenta por cento e noventa e três por cento dos CPFs e CNPJs apresentando histórico judicial.
  • Dados judiciais poderiam sinalizar risco em cerca de três em cada dez CPFs e dois em cada dez CNPJs, embora esses registros estejam dispersos nos tribunais e exijam interpretação proovidual.
  • O Scam Checker combina informações judiciais, sinais do SOS Golpe e listas confiáveis, gera pontuação em segundos e é recalibrado com dados dos ultimos noventa dias; 70% das contas denunciadas sao CNPJs.

A biometria facial e a documentoscopia confirmam a existência de alguém e a autenticidade do documento, mas não dizem como a conta será usada após a abertura. É nesse intervalo que pode surgir a chamada conta laranja, que pertence a pessoa ou empresa real, porém pode ter sido alugada ou usada como fachada por golpes.

Segundo a Silverguard, empresa por trás do SOS Golpe e do Scam Checker, a prática envolve passar por controles de cadastro com identidade verdadeira, o que dificulta a detecção de fraude. A diferença está no contexto de risco por trás do CPF ou CNPJ.

A companhia analisou 4 mil documentos vinculados a denúncias confirmadas entre outubro de 2025 e março de 2026, sendo 2 mil CPFs e 2 mil CNPJs. O estudo mostrou histórico judicial anterior em parte relevante dos registros.

Como funciona a análise de risco

A Silverguard utiliza inteligência artificial para classificar mais de 5 mil assuntos processuais, buscando sinais que indiquem risco. Dados judiciais podem sinalizar risco em parte dos CPFs e CNPJs considerados perigosos.

A empresa aponta que, com base nesses dados, seria possível antecipar o risco em cerca de três em cada dez CPFs e dois em cada dez CNPJs. Os registros judiciais, porém, estão dispersos e requerem interpretação jurídica para uso efetivo.

Uma conta aprovada pode gerar perdas financeiras e demanda judicial, além de impactos em crédito, conformidade e prevenção à lavagem de dinheiro. O custo envolve atendimento, jurídico e controles internos.

Contexto e limites da ferramenta

A Silverguard afirma que a maioria das contas denunciadas no SOS Golpe são CNPJs, com possível fraude empresarial de maior impacto. Ainda que muitos CNPJs tenham histórico judicial, poucos chegam à classificação final de risco. Entre CPFs, o histórico é menos comum, mas o nível de alerta pode ser maior.

O diferencial do Scam Checker é interpretar assuntos jurídicos indiretos, traduzindo classificações e identificando temas com maior correlação entre documentos. A ferramenta combina informações judiciais, sinais do SOS Golpe e listas confiáveis para gerar uma pontuação técnica em segundos, recalibrada a cada 90 dias.

Marcia Netto, CEO da Silverguard, destaca a necessidade de contexto, explicabilidade e atualização contínua, para evitar falsos positivos e não deixar avanços legítimos passarem despercebidos.

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