- Governo lança o Move Brasil Táxi e Aplicativos, com até R$ 30 bilhões em financiamento para compra de carros até R$ 150 mil, com condições diferenciadas de juros.
- O crédito permite apenas carros flex, híbridos ou elétricos, com juros de 1,9% ao mês (25,6% ao ano), buscando ficar abaixo da taxa Selic de 14,5%.
- Beneficiários são motoristas com cadastro ativo há pelo menos um ano e que tenham concluído no mínimo cem corridas nesse período.
- Em São Paulo, sete profissionais de táxi e de apps disseram perceber benefício potencial, mas destacaram motivações políticas e o timing próximo às eleições.
- Avaliações variam entre otimismo sobre ganhos dos trabalhadores e visão de que a medida é uma jogada eleitoral; alguns citam ainda a necessidade de soluções para preços de combustíveis.
Motoristas de aplicativo em São Paulo receberam com cautela o novo programa do governo para a categoria, anunciado pelo presidente Lula. O programa oferece crédito facilitado para compra ou troca de carros de até 150 mil reais, com financiamento apoiado por 30 bilhões de reais. As regras permitem apenas veículos flex, híbridos ou elétricos.
A medida é proposta para reduzir custos dos motoristas e estimular o uso de combustíveis renováveis. O Move Brasil Táxi e Aplicativos promete juros menores que os praticados pelo mercado, hoje em torno de 1,9% ao mês e 25,6% ao ano, conforme dados do Banco Central. A meta é manter juros abaixo da Selic, atual em 14,5%.
A Folha entrevistou sete profissionais que trabalham com táxi ou apps como Uber e 99. A maioria vê benefício potencial na prática, apesar de ressalvas sobre motivações políticas e o timing do anúncio, cinco meses antes da eleição.
Entre os motoristas, há consenso de que a iniciativa pode ajudar a categoria, que enfrenta remuneração reduzida pela cobrança de taxas das plataformas. Ainda assim, alguns questionam se o benefício altera de fato as condições de trabalho no curto prazo.
Alguns motoristas afirmam que o anúncio busca ganho político. Silvio Vidal comenta que, embora a medida seja positiva, parece uma tentativa de aproximação com a categoria próximo das eleições. Outros concordam em parte, destacando que há necessidades mais amplas.
A avaliação sobre impacto é mista: para alguns, a medida facilita acesso a crédito e pode reduzir custos; para outros, faltam soluções para temas como preços de combustível e segurança regulatória. A discussão envolve também o papel dos táxis na nova dinâmica.
O governo já analisava regulamentar o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativos, em meio a divergências com o Congresso. Em 2025, um grupo de trabalho liderado por Guilherme Boulos tratou do tema, mas não chegou a acordo definitivo antes do atual pleito.
O PLP 152/2025, de Luiz Gastão, propunha regulamentação específica, mas enfrentou resistência dos trabalhadores, que afirmam que o modelo atual não atende às suas necessidades. Delegações de trabalhadores avaliam o projeto como inadequado para a realidade da categoria.
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