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Desmatamento aumenta risco econômico para o agronegócio brasileiro.

Desmatamento passa a ser risco econômico para o agronegócio brasileiro, elevando custos, reduzindo produtividade e afetando acesso a crédito e mercados

Desmatamento é um dos fatores que contribuem para atingir 'pontos de não retorno' em biomas naturais
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  • O desmatamento é visto por mercados internacionais como risco econômico, influenciando a estabilidade de cadeias produtivas do agronegócio brasileiro.
  • Cinco commodities de alto risco de desmatamento — soja, carne bovina, café, cacau e óleo de palma — já respondem por mais de vinte por cento das importações agrícolas da União Europeia.
  • A União Europeia enfrentou inflação de alimentos de 10,6% em 2022, com aumentos acentuados de preços de cacau e chocolate entre 2022 e 2024 devido a quebra de safras e choques climáticos.
  • Estudos apontam que desmatamento na Amazônia e no Cerrado reduziu a produtividade da soja brasileira em 6,6%, com áreas até 100 quilômetros de áreas desmatadas registrando aumento de temperatura de cerca de 3 °C.
  • Pesquisas indicam perdas econômicas potenciais para o setor: até US$ 1 bilhão por ano na parte sul da Amazônia; riscos financeiros globais estimados em cerca de US$ 78,6 bilhões; e possibilidades de valorização de cadeias livres de desmatamento com melhor acesso a crédito e mercados.

O desmatamento passa a ser visto como fator de risco econômico, financeiro e produtivo pelo mercado internacional. Investidores, tradings, seguradoras e bancos avaliam a estabilidade de longo prazo das cadeias produtivas no Brasil diante de mudanças climáticas e degradação florestal.

A leitura atual considera que não há competitividade sem evitar colapsos hídricos e climáticos. A discussão migrou de ambiente para economia, com foco em resiliência, segurança alimentar e acesso aos mercados globais mais exigentes.

O artigo destaca que apenas cinco commodities de alto risco – soja, carne bovina, café, cacau e óleo de palma – respondem por mais de 20% das importações agrícolas da UE, elevando a vulnerabilidade do continente a choques climáticos.

Desempenho e riscos globais

Relatos internacionais associam instabilidade produtiva a desmatamento, reconhecendo impactos diretos em serviços ambientais como chuva, regulação térmica e disponibilidade hídrica. O aumento de custos aparece na cadeia produtiva com mais irrigação e maior estresse térmico.

O estudo da The Nature Conservancy aponta perdas de produtividade de 6,6% na soja brasileira pela combinação de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, além de elevação de temperatura próxima a áreas desmatadas.

Evidências científicas

Pesquisa publicada na Nature Communications mostra que desmatamento na Amazônia reduz chuvas regionais e receitas agrícolas, descrito como um jogo econômico de soma negativa. Extrema degradação pode gerar perdas de até US$ 1 bilhão/ano na porção sul da região.

Outra análise, do CPI/PUC-Rio e Amazônia 2030, aponta impactos na agricultura e na geração de energia hidrelétrica, com perdas anuais significativas para Itaipu e Belo Monte já associadas ao desmatamento histórico.

Caminhos do mercado e finanças

Riscos ligados ao desmatamento podem chegar a US$ 78,6 bilhões em passivos potenciais para empresas globais. Instituições financeiras tendem a favorecer cadeias rastreáveis e livres de desmatamento, refletindo em crédito e contratos.

Produtores com rastreio efetivo ganham acesso a melhores mercados e termos de financiamento; operações associadas à conversão de vegetação enfrentam maior custo financeiro e risco de exclusão comercial.

Benefícios da conservação

O texto sinaliza que práticas de manejo florestal podem trazer ganhos econômicos ao melhorar a resiliência da produção. Diferenciação de mercado e remuneração por serviços ambientais aparecem como investimentos na estabilidade do agronegócio.

O Brasil possui pastagens degradadas passíveis de recuperação, o que permitiria expansão sem derrubar novas florestas. Aumentar a produtividade em áreas já abertas pode liberar áreas para expansão sem desmatamento.

História e lições

Entre 2004 e 2012, o Brasil reduziu grande parte do desmatamento na Amazônia enquanto o PIB agropecuário cresceu. Iniciativas como a Moratória da Soja mostraram que é possível ampliar produção sem desmatamento adicional.

O debate atual transcende produção versus conservação, avançando para qual modelo agrícola sustenta competitividade diante de regulações, rastreabilidade e riscos climáticos crescentes.

Conclusão

A ideia central é que florestas e ecossistemas não são apenas ativos ambientais, mas infraestrutura econômica que sustenta chuva, produtividade e segurança hídrica. Ignorar esse elo pode representar risco relevante ao agronegócio.

Este texto foi elaborado por Marina Aragão, Líder em Economia e Finanças para Amazônia da TNC Brasil.

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