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Caso Digimais reforça urgência em fechar brechas a crimes financeiros

Operação Miragem aponta fraudes no Digimais, com ativos supervalorizados e risco de prejuízo ao sistema, aumentando a pressão por regulação financeira.

COMANDANTE - Edir Macedo: após passar para seu controle em 2020, o Banco Digimais dobrou de tamanho em apenas dois anos
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  • A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para apurar supostas fraudes no Banco Digimais, controlado por Edir Macedo.
  • O caso mostra supostas práticas temerárias para crescer crédito, com o banco vendendo certificados de depósito bancário que prometiam retornos acima da média e captando recursos via CDBs.
  • Investigações apontam que o Digimais criou mecanismo para inflar o patrimônio usando recebíveis de fundos de direito creditório, como o Hermon, para sustentar captações.
  • O Banco Central houve intervenções: em 2023 determinou que o Hermon registrasse direitos pelo valor efetivamente pago; em 2025 houve venda de cotas para BA Empreendimentos, com questionamentos sobre o balanço.
  • Já existem estimativas de prejuízo ao FGC entre 3,5 bilhões e 10 bilhões de reais; autoridades discutem maior integração entre órgãos de fiscalização e aperto regulatório para evitar novos golpes.

Para os investigadores, o caso Digimais reforça a necessidade de fechar brechas que facilitam crimes financeiros. A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem na terça-feira 23 para apurar supostas fraudes no banco Digimais, controlado por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono do Grupo Record. O objetivo é entender possível desvio de recursos e uso irregular de ativos.

A instituição integra os negócios do grupo desde 2013, quando a Record passou a deter 100% do banco Renner, rebatizado como Digimais. Em 2020, o banco passou a operar integralmente sob a gestão de João Urbaneja, aliado de Macedo, ampliando sua carteira de crédito com foco em veículos.

Desdobramentos regulatórios

A PF aponta que o Digimais adotou práticas financeiras temerárias para sustentar o crescimento, incluindo uso de fundos de direito creditório. Investigações indicam superfaturamento de recebíveis ligados a FIDCs, com tentativas de inflar o patrimônio para captar mais recursos pelo mercado de CDBs.

O Banco Central detectou irregularidades em 2023, exigindo ajustes na valoração de ativos de fundos e posteriormente coordenando a venda do banco para reduzir riscos. Em 2025, houve acordo para venda das cotas do Hermon, com pagamento previsto para 2032, mantendo a contabilização de recebíveis no balanço.

Cenário atual e impactos

Estimativas sobre o rombo do Digimais variam entre 3,5 bilhões e 10 bilhões de reais, dependendo da avaliação de ativos e de operações de financiamento. A possível liquidação do banco ampliaria o peso financeiro sobre o Fundo Garantidor de Créditos, conforme apurado por autoridades.

Antes da crise, medidas foram anunciadas para endurecer regras de cálculo de ativos lastro e ampliar detalhamento das carteiras a partir de novembro. Especialistas destacam a necessidade de maior integração entre BC e CVM para evitar abusos em fundos de investimento.

Perspectivas e controle

Analistas ressaltam a importância de dividir riscos entre clientes e instituições, para desencorajar CDBs com retornos abusivos. O objetivo é aprimorar a regulamentação e a fiscalização para evitar novos casos de crimes financeiros movidos pela ganância, garantindo maior transparência do mercado.

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