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Uso de IA no trabalho cresce e medo de substituição cai no Brasil, Datafolha

Medo de substituição pela IA cai entre brasileiros, de 56% para 48%, aponta Datafolha; uso da IA no trabalho avança para 24%

Quase metade dos brasileiros que conhecem a inteligência artificial não temem perda de emprego
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  • A pesquisa Datafolha, realizada em 17 e 18 de junho de 2026 com 2.004 entrevistas, mostra queda do medo de substituição pela IA entre quem já ouviu falar em IA, de 56% para 48%.
  • A mesma amostra aponta aumento de quem não teme substituição, de 41% para 49%.
  • Entre os que conhecem a IA, 24% já usaram a tecnologia no trabalho, contra 17% há um ano; há também uso em pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e na criação de vídeos e imagens (4%).
  • A pesquisa destaca que a visão sobre impactos da IA no trabalho diverge: há quem avalie risco de emprego, mas também expectativa de ganhos de produtividade e criação de novas funções.
  • Estudo da Fundação Getulio Vargas aponta quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil com algum grau de exposição à IA generativa, sendo 5,2 milhões com alto nível de exposição.

A parcela de brasileiros que teme ser substituído pela IA recuou de 56% para 48% em um ano, aponta a pesquisa Datafolha realizada em junho. O estudo também mostra aumento no uso de IA no trabalho, de 17% para 24%.

Entre quem já ouviu falar em IA, 48% temem a substituição da profissão pela tecnologia, enquanto 49% não têm esse medo. No ano anterior, esses números eram 56% e 41%, respectivamente. O uso da IA no trabalho também cresceu entre esse grupo: 24% já usaram a tecnologia.

A pesquisa de campo ocorreu nos dias 17 e 18 de junho de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em 139 cidades. A amostra incluiu pessoas com 16 anos ou mais de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Complexidade do tema acompanha o ritmo da adoção

Entre os respondentes que já ouviram falar de IA, o uso da tecnologia para pesquisas na internet está em 25%, para estudos em 17% e para criação de vídeos e imagens em 4%. Esses dados evidenciam a disseminação de ferramentas de IA em diferentes atividades.

Para analistas, o recuo do medo pode refletir um efeito de estabilização após a onda inicial de otimismo ou pânico em torno da IA. Economistas consultados pela Folha apontam que a realidade prática pode seguir caminhos variados, com empregos se adaptando ou se substituindo parcialmente.

A visão de especialistas também diverge sobre impactos no emprego. Alguns afirmam que a IA reduz custos e gera novas demandas, enquanto outros destacam riscos de substituição em setores com maior automatização. A evidência empírica é mista até o momento.

Exposição ocupacional e vulnerabilidade no Brasil

Um estudo da FGV Ibre, com base em metodologia da OIT, indica que quase 30 milhões de trabalhadores estavam expostos a IA generativa no terceiro trimestre do ano anterior, o equivalente a 29,6% da população ocupada. Cerca de 5,2 milhões estavam em alta exposição, principalmente jovens e trabalhadores da região Sudeste.

Especialistas ressaltam que a capacidade de adaptação varia conforme o perfil profissional. Profissionais de escritório podem enfrentar maior substituição, mas tendem a possuir melhores recursos para transição. Empresas com maior qualificação podem reduzir impactos por meio de requalificação.

No Brasil, o risco de desemprego e de desigualdade é destacado pela análise. Economistas destacam que a proteção social não é suficiente para a classe média, o que eleva a atenção sobre políticas de transição e formação. A realidade brasileira é vista como mais desafiadora que a narrativa internacional.

Percepção pública sobre uso de IA em decisões

A pesquisa aponta que a maior parte da população é contrária à automação de decisões. Em contratações e demissões, 79% consideram inadequado o uso de IA. Em decisões sobre tratamentos médicos, 68% desaprovam o uso, e 67% rejeitam decisões automatizadas na concessão de crédito.

O estudo também observa a presença de IA em ambientes corporativos, com plataformas de recrutamento e RH frequentemente adotando a tecnologia para avaliar candidatos ou estruturar cortes de pessoal. A tendência de uso institucional preocupa quem defende cautela na aplicação de algoritmos.

Os dados indicam um panorama de incerteza sobre o impacto da IA no curto prazo. Enquanto parte da imprensa e do mercado projeta riscos de substituição rápida, a percepção pública no Brasil aponta para uma coexistência entre automação e criação de novas oportunidades, com ênfase na necessidade de qualificação.

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