- O acordo entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor em 1º de maio, eliminando tarifas para mais de cinco mil linhas de produtos e abrindo espaço para tecnologia brasileira na indústria da moda.
- A Audaces, sediada em Palhoça, Florianópolis, enxerga a exportação de IA, automação e rastreabilidade têxtil como oportunidade de ampliar vendas para o mercado europeu.
- A indústria têxtil e de vestuário da União Europeia movimenta cerca de US$ 190 bilhões por ano, com 1,2 milhão de trabalhadores; o bloco passa a exigir maior rastreabilidade, eficiência e conformidade ambiental dos fornecedores.
- A Audaces atende hoje mais de 100 mil profissionais e mira conquistar 70% do mercado mundial de tecnologias multiplataforma para a moda até 2030.
- Santa Catarina reforça sua posição na economia ao fomentar soluções tecnológicas para o setor têxtil; a empresa planeja investir cerca de R$ 1 bilhão até 2030 para ampliar P&D, novos produtos e atuação internacional.
Acordo entre Mercosul e União Europeia abre espaço para a exportação de tecnologia brasileira na indústria da moda. Desde 1º de maio, tarifas foram reduzidas para milhares de itens, ampliando o rol de produtos que entram com menos custos no mercado europeu. A Audaces, de Florianópolis, vê nessa fase inicial uma oportunidade de levar IA, automação e rastreabilidade têxtil ao Velho Continente.
A empresa, que atua há três décadas no setor, funciona como fornecedora de software, hardware e soluções de produção para a indústria da moda. Com sede em Palhoça, na Grande Florianópolis, a Audaces já tem atuação em mais de 120 países e inaugurou recentemente uma nova sede em Florianópolis.
Segundo Matheus Fagundes, CEO global da Audaces, o novo ambiente geopolítico facilita exportar tecnologia e conhecimento, não apenas peças. A empresa já contribui para reduzir desperdícios e acelerar o desenvolvimento de coleções com soluções próprias utilizadas por fabricantes brasileiros.
Expansão e demanda europeia
Dados da Euratex indicam que a indústria de têxtil e vestuário da UE movimenta cerca de US$ 190 bilhões por ano, com 1,2 milhão de empregos e quase 200 mil empresas nos 27 países. O momento atual reforça a busca por fornecedores que ofereçam rastreabilidade, eficiência e automação.
Para o Brasil, o acesso ao bloco europeu demanda escala, previsibilidade e conformidade ambiental. As cláusulas espelho e os requisitos ESG exigem origem rastreável de materiais, documentação de processos e controle de desperdícios, abrindo espaço para tecnologia como diferencial competitivo.
A Audaces já atua para ampliar a participação no mercado mundial, com foco em reduzir perdas de insumos em até 20% e melhorar o aproveitamento de moldes e cortes. A empresa aguarda que a integração estimule a exportação de soluções de produção, não apenas de itens acabados.
Visão de longo prazo
Fundada em 1992 por Claudio Grando e Ricardo Cunha, a Audaces nasceu no setor moveleiro e migruou para software, IA e automação para moda. A companhia atende hoje mais de 100 mil profissionais diariamente e pretende alcançar 70% do mercado mundial de tecnologias multiplataforma até 2030.
A estratégia inclui investimento de cerca de R$ 1 bilhão até 2030 em P&D, novos produtos e expansão de atuação na América Latina e na Ásia. A liderança da empresa observa que a integração Mercosul-UE reforça a importância de combinar inovação, dados e eficiência para competir em mercados sofisticados.
O atual momento é visto como oportunidade de posicionar o Brasil como exportador de tecnologia para a produção global de vestuário. Para a Audaces, o desafio é transformar a aproximação comercial em presença efetiva, com foco em inteligência aplicada à cadeia de suprimentos.
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