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Dívida e inflação pesam mais que emprego, limitam bem-estar

Endividamento elevado e ganho modesto com isenção do Imposto de Renda explicam por que bem-estar não acompanha o desempenho do emprego

Janaína Feijó: população entende que terá nome limpo após 5 anos sem pagar conta — Foto: Leo Pinheiro/Valor
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  • Endividamento das famílias e inflação ajudam a explicar por que o bem‑estar não acompanha o desempenho do emprego, segundo o FGV Ibre.
  • O Índice de Confiança do Consumidor fica abaixo de 100 pontos, com melhora apenas para quem recebe até R$ 2.100 por mês.
  • A inadimplência subiu: 59 milhões de pessoas em 2016 para 83,4 milhões em abril de 2026 (50,8% da população adulta).
  • Finanças cresceram com maior peso de instituições financeiras e maior concentração de endividamento entre os mais pobres; o Desenrola é visto como efeito conjuntural.
  • A isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil traz ganho pequeno frente à inflação alta; apenas 8,8 milhões devem ser beneficiados neste ano, com efeito real ainda menor para a maioria.

A dívida das famílias e o peso da inflação mantêm o pavio aceso da percepção de bem‑estar, mesmo com avanços no mercado de trabalho. Pesquisadores da FGV Ibre afirmam que a alta de preços, sobretudo da alimentação, aliada a mudanças demográficas e educacionais, explica parte da divergência entre emprego e sensação de renda.

O estudo cita que o Índice de Confiança do Consumidor fica abaixo de 100 pontos há anos, mesmo com altas salariais reais. Dados da Quaest-Genial de maio indicam que 69% disseram ter poder de compra menor que há um ano, e 9% viram renda maior que o custo de vida.

Segundo a carta publicada pela equipe da FGV Ibre, o endividamento elevado não é suficiente para explicar por si só a percepção negativa. O desempenho do crédito está estável, mas o volume de endividados cresceu, levando mais famílias a recorrer a modalidades com juros maiores.

Endividamento das famílias e crédito

A pesquisa aponta que a inadimplência subiu de 59 milhões de consumidores em 2016 para 83,4 milhões em 2026, conforme Serasa. A parcela adulta inadimplente passou de 39,5% para 50,8% nesse período, acompanhando maior bancarização.

Entre 2018 e 2026, participação de bancos na carteira inadimplente permaneceu estável, enquanto o peso das financeiras subiu de 7,6% para 19,8%, impulsionando custos maiores para o consumidor. O endividamento cresce mais entre os mais pobres, segundo a PEIC.

Dados do BC indicam que o endividamento elevado reduz o consumo, especialmente quando se concentra em créditos com juros altos e prazos curtos. A relação entre endividamento e queda de consumo explica parte do desalento observado pela população.

Isenção do IR e efeito na percepção

A ampliação da isenção do IR para rendimentos até 5 mil reais, com redução para quem ganha até 7,35 mil, é apontada como de efeito modesto sobre a percepção de bem‑estar. A Quaest-Genial indica ganhos médios de até 312,9 reais mensais para quem recebe 5 mil, mas o benefício tende a ser menor a partir desse patamar.

Estima-se que 21,6 milhões podiam se beneficiar, mas o conjunto efetivo, já com regras atuais, fica em 8,8 milhões. Mesmo entre esses, o ganho costuma ficar abaixo da inflação em grande parte das faixas de renda. O efeito agregado sobre a confiança é considerado limitado.

O recorte revela que o benefício é maior para quem recebe até dois salários mínimos, mas ainda assim com ganhos marginais frente à inflação. Pesquisadores ressaltam que o programa é conjuntural e não resolve estruturas de endividamento ou educação financeira.

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