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Poupança: fuga estrutural deve continuar após captação de 2026

Captação líquida em maio foi de R$ 2,6 bilhões, mas migração para renda fixa indica tendência estrutural de queda do saldo e impacto no crédito imobiliário

(Arte: Léo Albertino)
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  • Maio teve captação líquida de R$ 2,6 bilhões na poupança, levando o saldo para R$ 1,014 trilhão; foi a primeira vez em 2026 que depósitos superaram saques.
  • No acumulado do ano, a poupança registra resgate líquido de R$ 39,1 bilhões.
  • Fatores apontados incluem sazonalidade de pagamentos de 13º salário e benefícios, além do início do Desenrola 2.0, com a busca por maior proteção em meio a instabilidades bancárias.
  • A migração para renda fixa continua, impulsionada pela Selic ainda elevada, CDI e títulos públicos rendendo mais que a poupança, com opções como Tesouro Selic, Fundos DI e CDBs.
  • Espera-se impacto no crédito imobiliário, já que a poupança é uma fonte do SBPE; bancos devem buscar outras fontes, como LCIs e letras hipotecárias, para financiar o setor.

A caderneta de poupança fechou maio com captação líquida de R$ 2,6 bilhões, segundo o Banco Central. O saldo chegou a R$ 1,014 trilhão, o primeiro mês em que depósitos superaram saques em 2026. Em maio de 2025, o saldo também subiu, mas com volume menor.

A melhora vem em um contexto de economia mais aquecida, com desemprego em baixa e renda dos trabalhadores em alta. Contribuíram ainda a isenção do IR para ganhos até R$ 5 mil e o início do Desenrola 2.0 pelo governo.

A percepção entre especialistas é de que o movimento tende a ser passageiro e a poupança deve permanecer estável no longo prazo. A concorrência de outros produtos financeiros e mudanças de comportamento ajudam a explicar a tendência.

Para o mercado, a poupança continua a enfrentar competição de opções de maior rentabilidade, afirmou um analista do Bradesco. A imagem de segurança da poupança ajuda a explicar parte do volume, mesmo com juros elevados.

Na prática, a migração para renda fixa tem ganhado espaço. Títulos públicos, Fundos DI e CDBs oferecem rentabilidade superior, mantendo o investidor atento a alternativas com liquidez. O Tesouro Reserva também tem ganhado demanda desde maio.

Essa transição pode impactar o crédito imobiliário, que hoje depende de funding pela SBPE. Bancos já buscam novas fontes, como LCIs e Letras Hipotecárias, para sustentar o acesso a crédito no setor.

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