- Estudo teórico-empírico com 15 anos de atuação de Deusa Marcon aponta que a saúde mental do empreendedor é condição estrutural para a sustentabilidade do negócio e do ser, propondo integração entre estratégia e psicanálise (Winnicottiana).
- No Brasil, o empreendedorismo é significativo, com cerca de 42 milhões de empreendedores ativos, mas o ambiente é volátil e gera alto risco emocional para líderes.
- Dados da pesquisa mostram que 78,3% não possuem espaço seguro para compartilhar vulnerabilidades; 61% relatam sintomas físicos; 69,6% enfrentam conflitos pessoais; mais de 80% vivenciam experiências traumáticas ao longo da jornada.
- A Previdência Social aponta aumento de 800% nos afastamentos por burnout em quatro anos, evidenciando crise de saúde mental no trabalho.
- A proposta prática inclui o conceito de holding emocional e o Método Copiloto Empreendedor, que integra tomada de decisão, desenvolvimento do negócio e sustentação emocional, unindo negócio e pessoa.
A saúde mental dos empreendedores brasileiros deixou de ser tema periférico e passou a ocupar posição central na sustentabilidade dos negócios. O estudo teórico-empírico resultou no artigo sobre a psicanálise Winnicottiana como pilar da jornada empreendedora, com foco na relação entre emoção e desempenho.
A pesquisadora Deusa Marcon, psicanalista e empreendedora, conduziu o trabalho com mais de 15 anos de atuação junto a líderes. A pesquisa combina evidências práticas com uma análise qualitativa realizada em 2025, sob a ótica da psicanálise de Winnicott.
Marcon aponta que decisões estratégicas não são apenas técnicas, mas moldadas por estados emocionais não elaborados. Em crises, a identidade do empreendedor pode ficar abalada, refletindo na lógica do negócio.
Contexto e dados
No Brasil, o empreendedorismo ocupa lugar central no cenário econômico, com milhões de negócios próprios. Dados apontam que o país tem uma das maiores populações de empreendedores ativos do mundo, entre os maiores ecossistemas globais.
O cenário convive com instabilidade econômica e alta exigência de desempenho. O perfil motivacional está mudando, com a transição do empreendedorismo por necessidade para o foco em oportunidade e legado.
A pesquisa reforça que o ambiente não oferece cuidado psíquico suficiente, elevando indicadores de sofrimento mental entre fundadores de micro, pequenas e médias empresas.
Desafios de gênero e impactos
Mulheres representam quase metade dos novos empreendimentos, mas enfrentam barreiras de acesso a capital, além de jornadas duplas e cobranças socioculturais. Tais fatores elevam o risco de exaustão emocional.
Dados institucionais indicam sofrimento emocional relevante entre empreendedores, com aumento significativo de ansiedade e burnout. Relatórios oficiais apontam crescimento expressivo nesses afastamentos em anos recentes.
Mais de 80% dos entrevistados reportaram experiências traumáticas ao longo da jornada, segundo o estudo, que também relaciona a pressão com conflitos nas relações pessoais.
Uma nova abordagem: integração de estratégia e psicanálise
O estudo apresenta o conceito de holding emocional como sustentação capaz de atravessar momentos de alta pressão sem fragmentação. A autora propõe o Método Copiloto Empreendedor, que integra decisão estratégica, desenvolvimento do negócio e bem-estar do líder.
A premissa central é que não há separação entre o negócio e quem o conduz. A saúde mental é apresentada como condição estrutural para a sustentabilidade do empreendimento e do ser do empreendedor.
Implicações para liderança e inovação
Com o aumento de quadros de ansiedade, burnout e afastamentos, a pesquisa amplia o debate sobre liderança, produtividade e inovação. O foco passa a ser não apenas o crescimento, mas a capacidade de manter relações, saúde e foco estratégico.
Além de ampliar a conscientização, o estudo sugere caminhos práticos para organizações que desejam apoiar seus líderes, promovendo ambientes que favoreçam partilha de vulnerabilidades e estratégias de sustentação emocional.
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