- Itaú BBA mantém a avaliação de risco do crédito do setor sucroenergético, dizendo que a reestruturação da Raízen é um caso isolado.
- Exposição do Itaú ao setor açúcar e etanol é de R$ 25 bilhões, dentro de uma carteira de agronegócio de cerca de R$ 135 bilhões, sem incluir a Raízen.
- O banco projeta crescimento de 10% da carteira de agronegócio para 2026, sem considerar o efeito cambial.
- O executivo aponta que muitas usinas entraram no ciclo com dívidas mais longas e menor alavancagem (inferior a 1,5 vez), o que reduz a necessidade de cortes bruscos em investimentos.
- Para 2026/27, o Itaú estima moagem de 644,8 milhões de toneladas no Centro-Sul, produção de etanol de 38,4 bilhões de litros e mix açucareiro de 46,4% no Centro-Sul.
O Itaú BBA mantém a avaliação de risco sobre o crédito ao setor sucroenergético, mesmo diante da reestruturação extrajudicial da Raízen. O comentário é de Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do banco, divulgado durante a apresentação do relatório Visão Agro 2026/27 nesta quinta-feira (2).
Fernandes destacou que a maior parte das usinas entra no atual ciclo de preços baixos de açúcar e etanol com dívidas mais longas e menor alavancagem do que em crises anteriores. A Raízen é considerada um caso isolado, não refletindo a percepção sobre a saúde financeira do setor, afirmou.
O Itaú BBA tem cerca de R$ 25 bilhões de exposição ao setor de açúcar e etanol, sem incluir a Raízen, em uma carteira de agronegócio de aproximadamente R$ 135 bilhões. Segundo o executivo, o banco é quase quatro vezes mais exposto ao setor do que o segundo colocado entre os credores.
A lista de credores em negociação com a Raízen aponta o Itaú como credor de aproximadamente R$ 1 bilhão. BNP Paribas, Bradesco e Rabobank aparecem entre os maiores credores. A Raízen aprovou, recentemente, a reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, o maior caso do tipo no país.
O banco manteve a projeção de crescimento de 10% para a carteira de agronegócio em 2026, desconsiderando o efeito cambial. Fernandes afirmou que muitos grupos devem ter fluxo de caixa negativo na safra atual após juros e investimentos, mas isso faz parte do ciclo do setor.
Ele reforçou que a exclusão da Raízen da carteira sucroenergética não decorre da reestruturação e que, historicamente, o peso do negócio de distribuição de combustíveis dificulta separar créditos ligados ao açúcar e etanol dos destinados a outras atividades.
O Itaú não detalhou a exposição à Raízen nem as medidas previstas para créditos ligados aos negócios de distribuição e de energia em uma eventual reestruturação. A leitura do banco é de que o ciclo anterior permitiu reduzir a alavancagem e alongar dívidas por meio de emissão de dívida no mercado de capitais.
Fernandes observou que, em ciclos anteriores de preços baixos, usinas entravam com alavancagem acima de 2,5 vezes; hoje, esse indicador fica abaixo de 1,5 vez, o que reduz a necessidade de cortes abruptos de investimentos.
O relatório aponta riscos atrelados à precificação da gasolina, aos créditos de descarbonização (CBIOs) e ao corte de geração de bioeletricidade, além de juros elevados e preços menos favoráveis. Para 2026/27, a projeção aponta produção recorde de etanol no Centro-Sul e manutenção de um mix açucareiro abaixo de 50%.
No âmbito global, o Itaú projeta queda de 2,8 milhões de toneladas no superávit de açúcar em 2026/27, com déficit de 700 mil toneladas, impulsionado pela menor rentabilidade no cultivo de cana e beterraba, ainda que o impacto do El Niño não esteja embutido na conta.
Segundo a analista Mariana Regina De Lucca, as usinas devem manter disciplina financeira e evitar elevação de riscos em margens pressionadas. O crescimento da carteira deve se concentrar em atividades com demanda adicional por capital, como esmagamento, biodiesel, etanol de milho, comercialização e insumos.
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