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Qive entra na fila para ser o próximo unicórnio brasileiro

Qive transforma notas fiscais em dados estratégicos de gestão, ampliando a carteira com clientes de peso e projetando valuation próximo de um bilhão de reais

Isis Abbud e Christian de Cico: o casal fundou a Qive com apenas 60 000 reais
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  • A Qive busca tornar-se o próximo unicórnio brasileiro, com valor estimado próximo a 1 bilhão de reais e crescimento superior a 60% nos últimos dois anos.
  • A empresa, criada em 2013 por Isis Abbud e Christian de Cico em São Carlos (SP), transformou notas fiscais em dados estratégicos para gestão, processando 3 trilhões de reais em notas fiscais eletrônicas em 2025 (cerca de 20% do total emitido no país).
  • O diferencial está em extrair informações de documentos fiscais — como horários, trajetos e peso de cargas — para acelerar contas a pagar/receber, cálculo de impostos e planejamento gerencial.
  • Clientes de peso incluem McDonald’s no Brasil (via Arcos Dorados), Faber-Cestall, Kraft Heinz, iFood e Casas Bahia, entre outros; a Casas Bahia reduziu de vinte para duas pessoas o time dedicado a pagamentos.
  • Em 2023, a Qive comprou a ConexãoNF-e, aumentando a base de clientes para mais de dez mil e agregando empresas como Samsung e Multilaser, contribuindo para a valorização da empresa.

Em 2011, Isis Abbud e Christian de Cico voltaram de estudos na Alemanha e abriram uma empresa de importação em São Carlos. O negócio não vingou, e o casal procurou novas ideias para manter a empresa. A experiência acabou desatando uma busca por eficiência logística.

Ao investigar notas fiscais, Cico percebeu que gerenciar a frota existente poderia evitar desperdício. O aprendizado resultou na criação da Qive, fundada em 2013, que hoje atua com foco em dados de documentos fiscais.

Em 2025, a Qive processou 3 trilhões de reais em notas fiscais eletrônicas, o equivalente a 20% do total emitido no país. O marco revela o peso da solução no mercado.

Origem modesta e começo de operação

A trajetória teve início com 60 mil reais emprestados pelo pai, investidos em aluguel de um sobrado, notebooks e dois programadores. A divulgação foi inicial e baseada no boca a boca.

Para ampliar a visibilidade, a Qive investia 50 reais diários em campanhas de busca no Google. O produto foi oferecido por 150 reais, atraindo principalmente pequenas empresas.

A virada com a indústria de alimentos

Em 2015, a Arcos Dorados, master-franqueada do McDonald’s, procurou a Qive para reduzir desperdícios na produção de batatas na Cidade do Alimento, em Osasco. Em três meses, surgiu a primeira grande solução contratada.

Essa parceria mostrou que a empresa podia acompanhar não apenas contabilidade, mas também transformar dados contidos em documentos como Danfe, Dacte, CT-e e CC-e em insights gerenciais.

Crescimento com clientes de peso

Desde então, a Qive ampliou a base com clientes relevantes, como Faber-Castell, Kraft Heinz, iFood e Casas Bahia. A gerente de TI da Casas Bahia destacou ganhos de produtividade na área de pagamentos.

Com mais de 700 lojas e operações em 23 estados, a Casas Bahia reduziu de dois para menos de dois dias o tempo necessário para gerenciar impostos, graças à análise de dados da Qive.

Finanças, crescimento e status de mercado

A empresa, de capital fechado, não divulga o faturamento, mas emprega mais de 300 pessoas. Ao longo de 13 anos, recebeu mais de 400 milhões de reais em aportes de investidores nacionais e estrangeiros.

Entre os investidores estão Monashees, Valor Capital, Riverwood e Constellation. Em 2023, a Qive comprou a ConexãoNF-e, aumentando a base de clientes em mais de 10 mil, incluindo Samsung e Multilaser.

Hoje, o valor da Qive é estimado próximo de 1 bilhão de reais. Embora não tenha alcançado o patamar de 1 bilhão de dólares, os fundadores mantêm o tom otimista e afirmam ter crescido mais de 60% nos últimos dois anos.

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