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Meta de leilões de rodovias sofre atrasos e acumula projetos

Meta de treze leilões de rodovias em 2026 sofre atrasos: apenas dois realizados no primeiro semestre, com a maior parte prevista para o segundo semestre

Rodovia Régis Bittencourt, 4551, em Taboão da Serra (SP)
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  • Meta de 13 leilões de rodovias em 2026 enfrenta atrasos: até o momento, dois certames foram realizados no 1º semestre e apenas mais um tem data definida (Régis Bittencourt) para o final de julho.
  • Especialistas destacam ritmo mais lento, com a maior parte dos projetos no 2º semestre, aumentando a pressão sobre a ANTT e os órgãos reguladores.
  • O advogado Rafael Duarte Silva reforça a necessidade de mais orçamento e pessoal, citando o entrelaçamento de etapas técnicas, controles e judicializações como razões para atrasos.
  • O diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, admite déficit de cerca de 40% no quadro de pessoal e aponta atrasos em estudos de viabilidade e audiências públicas, com Sul do país demandando mais tempo de análise.
  • Governo diz que agenda pode avançar no 2º semestre, mantendo o ritmo mesmo em ano eleitoral; mercado observa maior seletividade de investidores, apesar de pipeline robusto.

A meta do governo de realizar 13 leilões rodoviários em 2026 enfrenta atrasos significativos. Até o momento, apenas dois certames foram realizados e um terceiro tem data definida para o final de julho, a otimização da concessão da Régis Bittencourt. O restante deve ficar para o segundo semestre, ampliando a pressão sobre os órgãos reguladores.

Especialistas apontam que o ritmo atual dificulta o cumprimento do calendário previsto, sobretudo em ano eleitoral. A análise aponta necessidade de maior volume de estrutura de apoio, orçamento e pessoal para a ANTT, além de observações sobre etapas técnicas e controle envolvidas no processo.

Desafios estruturais

O advogado Rafael Duarte Silva, do Bento Muniz Advocacia, estima que, após os leilões deste ano, haverá 54 contratos vigentes e um aumento de cerca de 30% na quilometragem concedida. Ele defende reforçar orçamento e equipe da ANTT para viabilizar as concessões.

Silva ressalta que a estruturação de cada leilão envolve múltiplas etapas técnicas. A combinação de atividades técnicas e de contencioso ajuda a explicar o atraso entre a definição dos projetos e a sua efetiva conclusão, segundo o especialista.

Capacidade institucional e judicialização

Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT, reconhece déficit de aproximadamente 40% no quadro de pessoal. A agência atua com alto volume de projetos, o que pode retardar cronogramas. A judicialização de contratos também pesa sobre a atuação regulatória, diz o dirigente.

Para ele, atrasos também ocorreram na conclusão de estudos de viabilidade e em audiências públicas, especialmente no Sul. Santa Catarina e Rio Grande do Sul costumam apresentar maior participação de propostas, o que demanda tempo adicional para análise.

Perspectivas do mercado e etapas futuras

Antonio Henrique Medeiros Coutinho, sócio de um escritório de advocacia, afirma que cumprir a agenda de 11 leilões no segundo semestre seria um feito inédito. O mercado mantém apetite, mas aumenta a seletividade dos investidores.

Apesar das dúvidas, o setor aponta um pipeline robusto, com projetos como Rota do Pequi, Rota Agro Central e outros já em tramitação. Alguns editais aguardam deliberação do TCU para publicação, enquanto outros devem seguir para audiência pública ou envio à Corte.

Olhar estratégico do governo

O Ministério dos Transportes e a ANTT defendem que o calendário pode avançar mesmo em ano eleitoral. A secretária de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, afirma que 13 leilões em 2026 é viável e que a maior oferta de projetos atrai investidores, ampliando a participação por leilão.

Ela destaca que, mesmo que algum projeto seja transferido para 2027, a carteira de concessões permanece estável, reforçando que as concessões são políticas de Estado e não de governo. O objetivo é manter o ritmo sem abrir mão de qualidade técnica.

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