- A empresa LSH Barra teve a falência decretada pela Justiça, após o hotel ligado a Trump não retornar e entrar em recuperação.
- Paulo Figueiredo, ex-CEO da LSH Barra, foi condenado pela CVM por operações fraudulentas que inflaram cotas e desviaram recursos para o patrimônio dos criadores.
- Institutos de previdência estaduais e municipais, além do Serpro, investiram quase R$ 200 milhões no empreendimento; o rombo atual é estimado em cerca de R$ 400 milhões.
- A CVM identificou transferência indevida de riqueza de aproximadamente R$ 400 milhões dos investidores para os sócios, com uso de laudos de avaliação falsos e contratos fictícios.
- Ricardo Gordo também foi multado pela CVM por se beneficiar das irregularidades; o MPF chegou a denunciá-los, mas o processo contra Figueiredo foi encerrado pelo TRF1 em março de 2022.
O processo envolvendo o influenciador Paulo Figueiredo chegou à falência de uma empresa ligada a um projeto hoteleiro no Rio de Janeiro. A LSH Barra Empreendimentos Imobiliários S.A. teve falência decretada pela Justiça na semana passada, após denúncias de operação fraudulenta. A ação envolve o ex-CEO e ações de desvio de recursos, segundo a CVM.
Entre 2014 e 2016, o Fundo de Investimentos e Participações LSH captou recursos de dez RPPS estaduais e municipais para financiar o hotel de uma suposta marca associada a Donald Trump. O aporte total, segundo a CVM, alcançou quase 200 milhões de reais, com o rombo estimado em 400 milhões de reais em valores atuais.
A CVM aponta que o projeto foi sustentado por uma operação fraudulenta, que elevou artificialmente o valor das cotas e desviou recursos para o patrimônio pessoal dos idealizadores. Paulo Figueiredo, como CEO, é apontado como o articulador de um esquema que envolvia contratos de serviços fictícios.
Entre as empresas utilizadas para os desvios estavam Polaris e Great Wall, de cuja participação Figueiredo era sócio. A CVM informou ainda uma transferência de riqueza indevida de cerca de 400 milhões de reais dos investidores institucionais para os sócios fundadores.
Ricardo Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo, também foi envolvido. Ele foi multado pela CVM por participação no esquema, e recentemente passou a ser alvo de operação policial por ligações com outro instrumento financeiro. Figueiredo reside nos Estados Unidos, atuando em parceria com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
A CVM e o Ministério Público Federal já haviam denunciado Figueiredo e Gordo por crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos de instituição financeira e lavagem de dinheiro. Contudo, o TRF1 trancou, em março de 2022, a ação penal contra Figueiredo por atipicidade.
Hotel sem retorno e falência
O hotel foi aberto em 2016 com 75 dos 170 quartos previstos, sem a marca Trump, que foi retirada pelo grupo. Em 2019, a LSH Barra entrou com pedido de recuperação judicial. Em 2023, a assembleia de credores aprovou um plano com votos de Figueiredo, mas houve impugnação de credores que questionaram a participação do ex-CEO com base na condenação da CVM.
Sem aprovação do plano, a recuperação não ocorreu. A Justiça do Rio de Janeiro decretou, na semana passada, a falência definitiva da LSH Barra. O imóvel foi tomado pelo Fundo Polo, credor financiador, após decisões judiciais vinculadas às dívidas.
Os credores públicos, principalmente institutos de previdência, ficam sem ativos para distribuição, já que a empresa encerrou operações e o imóvel foi perdido. Os RPPS, que haviam investido em cotas infladas, permanecem com papéis em uma empresa falida e sem lastro.
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