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Petróleo cai, mas preços de combustíveis permanecem estáveis

Brent recua, porém diesel e gasolina no Brasil não retornam aos patamares de janeiro, diante de repasse incompleto e efeitos fiscais

Posto de gasolina
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  • O Brent permaneceu na faixa de US$ 70 a US$ 72 por barril no início de julho, após alta causada pela guerra EUA–Irã, sinalizando redução do risco geopolítico.
  • No Brasil, diesel comum subiu acima de R$ 7,45 no pico, terminando junho em torno de R$ 6,75; a distribuição ficou em torno de R$ 5,73, mostrando recuo parcial, sem retorno ao nível de janeiro.
  • Já a gasolina comum ficou próxima de R$ 6,62 nos postos em junho, com registro similar de recuo na distribuição, mas sem volta ao patamar inicial.
  • A diferença entre queda do petróleo e repasse aos preços finais é maior para o diesel, indicando transmissão não uniforme ao consumidor e impacto macroeconômico presente.
  • Medidas do governo, como a subvenção ao diesel (R$ 1,12 por litro) e a subvenção à gasolina (R$ 0,44 por litro), ajudam a limitar o repasse, mas- tornam o preço final menos transparente.

O petróleo internacional recuou após a escalada provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã. O Brent voltou a ficar entre US$ 70 e US$ 72 por barril no início de julho, sinalizando redução do prêmio de risco. A leitura do mercado é de queda do risco geopolítico, ainda que não zerado.

Contexto internacional

Apesar da recuperação parcial, o movimento não se refletiu de forma igual nos combustíveis no Brasil. O diesel comum subiu rápido com o choque no petróleo, mas recuou em menor intensidade após a queda do barril. A gasolina acompanhou o recuo, porém mais contido.

Impacto no Brasil

Dados da ANP mostram que o diesel comum passou de cerca de R$ 6,05 por litro no começo de janeiro a picos de R$ 7,45, encerrando junho perto de R$ 6,75. Na distribuição, o preço saiu de R$ 5,35 para about R$ 6,45, terminando maio em torno de R$ 5,73. A reversão do preço do petróleo devolveu parte do choque, mas o valor final não retornou ao nível inicial.

A gasolina comum saiu de aproximadamente R$ 6,29 em janeiro, chegou a R$ 6,78 e fechou junho em torno de R$ 6,62. Na distribuição, o período ocorreu entre R$ 5,41 e R$ 5,84, fechando o mês próximo de R$ 5,75. A diferença entre distribuição e revenda permaneceu mais estável na gasolina, mas aumentou no diesel, indicando repasse incompleto.

Ainda segundo a ANP, o preço final depende de câmbio, estoques, contratos, logística, tributos, mistura de biocombustíveis, margens e políticas públicas. Medidas provisórias em vigor implementaram subsídios que atuam na formação do preço: diesel recebeu subsídio de R$ 1,12 por litro; na gasolina, o benefício foi fixado em R$ 0,44 por litro, reduzindo o repasse ao consumidor e diminuindo a transparência do preço final.

A conclusão é que o choque no preço internacional de energia impacta a inflação de forma indireta. Enquanto o Brent recua, o diesel e a gasolina no Brasil seguem com trajetória de alta menor, porém ainda acima dos níveis anteriores ao choque. O caso demonstra a atuação de fatores estruturais além da cotação do barril.

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