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Presidente do iFood, Diego Barreto, afirma que vivemos um faroeste

Barreto defende regulação cautelosa do trabalho por aplicativo para manter equilíbrio entre oferta e demanda diante da concorrência com 99Food e Keeta

Diego Barreto (Gladstone Campos/Divulgação)
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  • iFood, líder no setor, movimenta cerca de 0,6% do PIB e tem aproximadamente 600 mil entregadores ativos.
  • A regulamentação do trabalho por aplicativo é debatida com cautela; o executivo afirma que não há fórmula única devido à diversidade de jornadas e que uma lei mal calibrada pode desequilibrar oferta e demanda.
  • O mercado brasileiro de delivery, somando todos os canais, fica entre 23% e 25% de participação; há pressão da concorrência de 99Food e Keeta, e crescimento em torno de 30% ao ano.
  • O iFood defende o salário mínimo como referência de dignidade e é a favor da contribuição previdenciária da plataforma, estimando arrecadar até 1 bilhão de reais em 2027.
  • Em maio, o grupo processou a Keeta por espionagem; a empresa também adota medidas de segurança, como limite de doze horas online, reembolsos de até Br$ 15 mil em despesas médicas e controle de fraudes, com vazamento de dados de 1,2 milhão de usuários registrado no ano anterior.

A liderança do iFood permanece sob escrutínio regulatório e concorrencial. Diego Barreto, presidente da empresa, defende cautela na regulação do trabalho por aplicativo e avalia a relação com rivais como desafiadora. O mercado brasileiro de entregas soma milhares de entregadores e movimenta uma fatia relevante do PIB, segundo a Fipe.

Para Barreto, não existem fórmulas únicas para regulamentar o trabalho na plataforma. Ele afirma que a experiência diversa dos entregadores inviabiliza uma padronização baseada no comportamento médio. A liderança enxerga risco na criação de leis que desequilibrem oferta e demanda.

A economia brasileira, com juros altos e desaceleração, afeta o iFood. O executivo diz que altas taxas influenciam o poder de consumo e o financiamento de restaurantes, mas afirma que o crescimento da plataforma deve seguir, mesmo em cenário adverso.

Contexto regulatório

A regulamentação do trabalho por aplicativo é tema global. Barreto aponta que não há modelo único para inspirar a legislação brasileira e avalia que o ritmo do projeto no Congresso não é lento demais, dada a complexidade do tema. O entrave principal é enquadrar entregadores de perfis diferentes.

Para o iFood, a referência de dignidade é o salário mínimo, com ganhos proporcionais à produção. Ele rejeita a ideia de um piso fixo por entrega, que, segundo ele, inviabilizaria pedidos de menor valor. O modelo de renda envolve equilíbrio de oferta e demanda regional.

Mercado e concorrência

Barreto sustenta que a fatia do iFood, quando somados todos os canais de pedido (apps, WhatsApp, telefone), fica entre 23% e 25% do mercado brasileiro. A participação em aplicativos sozinha seria maior, mas não representa o bolo total de pedidos de comida.

Sobre a entrada de concorrentes como 99Food e Keeta, o executivo afirma que a competição é natural e o mercado ainda está em fase inicial, com espaço para crescimento. O grupo projeta crescimento próximo de 30% ao ano, mantendo planos para 2026.

Penalidades e disputas legais

No fim de maio, o iFood processou a Keeta por espionagem, alegando conversas remuneradas com empregados para obter números e estratégias. Barreto descreve a situação como “far west corporativo” e afirma que o tema renderá discussões públicas.

Sobre acordos com restaurantes, o iFood nega punição pelo Cade; diz haver investigação, não condenação. Alega que contratos de exclusividade são justificados pelo investimento feito, com limites definidos pelo órgão antitruste.

Segurança e qualidade

Para a proteção de entregadores, o iFood limitou o tempo online diário a doze horas e monitora velocidade, frenagem e deslocamentos. Em caso de acidente, o entregador pode receber reembolso de até 15 mil reais em despesas médicas e 3 mil de indenização.

A segurança dos clientes é reforçada pela baixa incidência de fraudes: a plataforma registra poucos relatos anuais frente a bilhões de entregas. Normalmente, fraudes ocorrem em operações do próprio restaurante, não do entregador.

Infraestrutura e hábitos de consumo

O iFood descreve transformação no perfil de pedidos: hoje, quase 40% envolvem itens como farmácia e pet shop, ampliando o leque além de comida. Barreto afirma que o delivery acompanha o avanço da internet, infraestrutura logística e mudanças no comportamento de consumo.

O executivo afirma que o iFood deve continuar crescendo, independentemente de pressões regulatórias ou novas entradas no mercado. A visão é de expansão contínua, com adaptação a cenários econômicos e tecnológicos.

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