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A ascensão das marcas chinesas entre os brasileiros

Investimentos chineses no Brasil chegam a pelo menos US$ 6 bilhões em 2025, impulsionando manufatura, baterias e consumo de tecnologia

Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert são embaixadores da marca Geely no Brasil
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  • Em 2025, empresas chinesas investiram pelo menos US$ 6 bilhões no Brasil, representando mais de 10% de todos os grandes investimentos no exterior e o maior aporte entre países estrangeiros.
  • Os investimentos na indústria manufatureira superaram os setores de petróleo e mineração, com a Great Wall Motors iniciando produção em uma fábrica anteriormente da Mercedes-Benz e a BYD abrindo uma fábrica de US$ 1 bilhão no Nordeste.
  • A Geely passou a deter 26% da Renault Brasil; a BYD e a Great Wall Motors foram as marcas de automóveis que mais cresceram no Brasil no último ano, seguidas pela Chery.
  • As chinesas investem pesado em marketing no Brasil, com a Geely patrocinando o Big Brother Brasil e a BYD divulgando seus carros em novelas; há também planos de baterias de grande porte para redes elétricas, com leilão de células previsto para dezembro capaz de atrair US$ 1,5 bilhão.
  • A relação Brasil-China é fortalecida pela parceria comercial; a China é o maior parceiro do Brasil desde 2009 e investimentos privados são vistos como foco principal, independentemente de mudanças políticas.

As marcas chinesas ampliaram significativamente sua presença no Brasil, atingindo patamares de investimento e atuação considerados expressivos pelo componente externo. Em 2025, o país recebeu pelo menos US$ 6 bilhões de empresas chinesas, segundo dados do American Enterprise Institute e do Conselho Empresarial China-Brasil. O montante representou mais de 10% de todos os grandes investimentos diretos no exterior e superou o que foi aplicado por chineses em qualquer outro país.

As informações indicam concentração de recursos na indústria manufatureira, com destaque para o setor automotivo. Em agosto, a Great Wall Motors iniciou operações em uma fábrica antes controlada pela Mercedes-Benz. Em outubro, a BYD inaugurou uma planta de US$ 1 bilhão, a maior fora da Ásia, instalada num terreno que já recebeu uma fábrica da Ford, no Nordeste. A Geely também ampliou presença ao adquirir 26% da Renault Brasil, que já mantém uma unidade no sul do país.

Investimentos e presença de marcas

Essas marcas intensificaram ações de marketing para ampliar penetração. A Chery contratou a atriz Bruna Marquezine para promover SUVs premium, num acordo estimado em aproximadamente R$ 10 milhões. A Geely patrocinou o reality show Big Brother Brasil, enquanto a BYD investiu em exposição de veículos em novelas de horário nobe. Em diálogo de produção, a BYD também promoveu a imagem de acesso a carros elétricos para diferentes públicos.

A tendência inclui apoio ao desenvolvimento de infraestrutura de energia, com planos de fornecer baterias de grande porte para redes elétricas. O primeiro leilão brasileiro de baterias, previsto para dezembro, pode mobilizar cerca de US$ 1,5 bilhão em células para armazenar excedentes de energia de fontes intermitentes e alimentar data centers. Em 17 de junho, a BYD sinalizou novos investimentos voltados a baterias no Brasil.

Mercado, tecnologia e percepções

O fluxo de investimentos ocorre em parte devido a barreiras protecionistas externas, além de alinhamento com objetivos chineses de ampliar participação em setores de alta tecnologia. Executivos e analistas ressaltam a prioridade de Brasil como polo tecnológico para a China, com representantes locais destacando o envolvimento de equipes corporativas na região.

Na prática, a presença chinesa já impacta o dia a dia de consumidores. Marcas como Huawei, BYD, Hisense e Shopee aparecem com força no varejo e na vida cotidiana, o que, segundo pesquisas, contribui para mudanças de percepção sobre tecnologia e inovação entre a população brasileira. A relação entre Brasil e China também se mantém fortalecida por acordos governamentais e linhas de crédito em yuan, anunciadas pelo governo brasileiro.

Mercado, política e próximos passos

Analistas apontam que o relacionamento entre governos continua relevante para o ritmo de investimentos. O Brasil tornou-se fornecedor estratégico para a China em tecnologia e infraestrutura, com planos de ampliar cooperação em áreas como baterias, mobilidade elétrica e indústria de componentes. A expectativa é de continuidade dos fluxos de capital mesmo diante de eleições, destacando a visão de que o setor privado lidera a relação bilateral.

O panorama atual sugere que grandes marcas chinesas consolidam presença no Brasil, com expansão de produção local, parcerias estratégicas e investimentos em cadeia de suprimentos. As iniciativas visam fortalecer capacidades industriais e ampliar a competitividade de produtos chineses no mercado brasileiro, tanto no âmbito doméstico quanto no regional.

Este conteúdo foi elaborado com base em informações públicas e entrevistas de especialistas no tema.

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