- Dados do Financial Stability Board, compilados pelo Poder360, mostram que o Brasil gastou 8,8% do PIB com juros em 2024, o maior entre as maiores economias.
- De 2023 para 2024, as despesas com juros saltaram de 5,8% para 8,8% do PIB, alta de 3 pontos percentuais.
- O Brasil tem a 8ª maior dívida bruta do G20, equivalente a 88% do PIB conforme o FSB (o BC aponta 81,1%).
- O custo elevado da dívida é atribuído a riscos fiscais, inflação e à taxa Selic em 14,25% ao ano, que eleva o juro real.
- A IFI projeta que, sem reformas, a dívida bruta pode chegar a 115% do PIB em 2036; para estabilizar a relação seria necessário um superavit primário de 2,1% do PIB.
O Brasil é o país do G20 que mais destina recursos ao pagamento de juros da dívida pública em relação ao PIB. Dados do FSB compilados pelo Poder360 mostram que o país gastou 8,8% do PIB em 2024, o maior percentual entre as principais economias. A alta representa um aumento de 3 pontos percentuais em relação a 2023.
Apesar de a dívida bruta ocupar posição relevante entre as maiores do grupo, o Brasil não figura entre os mais endividados quando comparado a opções como Japão e EUA. O FSB aponta 88% do PIB como endividamento bruto, enquanto a metodologia do BC indica 81,1%.
Custos de financiamento e fatores de risco
Especialistas ressaltam que o custo de financiamento é elevado pela percepção de risco fiscal, inflação e incerteza institucional. A taxa Selic, em 14,25% ao ano, eleva o custo de rolar a dívida e contribui para o maior juro real do planeta, segundo análises de mercado.
A composição da dívida também motiva o custo elevado: títulos indexados à Selic ou a índices de preços aumentam o peso dos encargos quando as taxas sobem. Deficits primários prolongados alimentam o estoque de títulos e elevam a remuneração exigida pelos investidores.
Projeções e cenários fiscais
A IFI projeta que, sem medidas estruturais, a dívida bruta pode chegar a 115% do PIB em 2036. A instituição aponta a necessidade de superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação dívida/PIB, com cenários mais favoráveis apenas após 2029.
Especialistas destacam que o controle da trajetória da dívida depende de ajustes permanentes no gasto público. Entre as medidas sugeridas estão limitar o crescimento de despesas obrigatórias e revisar benefícios tributários ineficientes. O novo governo, a partir de 2027, enfrentará esse desafio ao lidar com despesas indexadas ao salário e pisos constitucionais de saúde e educação.
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