- O crescimento do streaming deve desacelerar para 5% em 2026 e cair abaixo de 2% até 2030, levando as plataformas a buscar lucro em vez de apenas ampliar assinantes.
- Planos com anúncios passaram a representar parte relevante de novas assinaturas, acompanhando a tendência de consolidação entre grandes players.
- A IA está seguindo o mesmo roteiro: mais ferramentas, aumento de preços de assinaturas e consumidores acumulando mensalidades.
- A diferença é o ritmo de prejuízo: a OpenAI perde cerca de US$ 1,22 para cada dólar faturado, enquanto modelos de código aberto na China reduzem custos próximos de zero.
- A expectativa é de que o barateamento possa expandir o mercado, mas a indústria deve avançar para consolidação, planos com publicidade e necessidade de monetização futura, ainda que o gasto global com IA possa quase dobrar até 2026.
Toda tecnologia costuma enfrentar a mesma armadilha: preços baixos para conquistar usuários e, depois, cobrança para sustentar o negócio. O streaming mostrou isso na prática na última década. Agora, a inteligência artificial parece seguir o mesmo roteiro, com custos cada vez maiores para os usuários.
A Netflix abriu caminho com modelos de negócio de baixo preço e perdas para ganhar mercado. Hoje, pesquisas indicam que o crescimento global do streaming deve cair para 5% em 2026 e ficar abaixo de 2% até 2030, segundo a AlixPartners. A tendência é buscar lucro, não apenas expansão de usuários.
O caminho de mercado incluiu planos com anúncios e a consolidação entre players. Empresas como Disney adquiriram ativos como o Hulu, e a Paramount integrou a Warner Bros, reduzindo a variedade para um grupo menor de catálogos.
IA e preços
A evolução da IA acompanha incremento de ferramentas e de assinaturas por usuários, com serviços como ChatGPT, Claude e Gemini. Diferentemente do streaming, a IA opera com perdas significativas para alguns players, segundo dados de mercado, com a OpenAI registrando perdas maiores que cada dólar faturado.
Outra diferença vem do lado de oferta: países como a China disponibilizam modelos de código aberto como DeepSeek e GLM, com custos próximos de zero, o que impacta a dinâmica de preços no setor.
Implicações para o ecossistema
Especialistas destacam que o barato pode ampliar o mercado, não apenas reduzir margens. A previsão da Gartner é de que o custo de rodar grandes modelos caia quase 90% até 2030, enquanto o gasto global com IA pode chegar a 32,6 bilhões de dólares em 2026.
Ainda assim, o setor tende a passar por fases de disciplina, com menor rivalidade em preços, maior presença de publicidade e consolidação entre fornecedores.
Olhando adiante
Se a IA seguir o roteiro do streaming, a próxima etapa pode envolver menos descontos agressivos e mais modelos de negócio sustentáveis. A tecnologia que promete pensar por nós ainda depende de encontrar um caminho para pagar por si mesma.
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