- Bolsas asiáticas fecharam em alta, com destaque para Japão, Coreia do Sul, China e Hong Kong, após o fechamento misto de Wall Street.
- No Japão, o índice Nikkei avançou 1,53%, encerrando aos 69.883 pontos; a Coreia do Sul subiu mais de 5% e fechou aos 8.088 pontos; Xangai subiu 0,37%, Shenzhen 0,63% e o Hang Seng ganhou 1,18%.
- O especialista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, diz que a correção nas ações de tecnologia não representa fim de ciclo, e que o momento é de tensão antes dos resultados do segundo trimestre.
- Ele aponta que a valorização anterior foi acompanhada por crescimento de lucros superior a 100% em várias empresas, deixando algumas ações mais baratas em relação ao início do ano; cita a Micron, com múltiplo de lucro entre 5 e 6 vezes para 2028, frente cerca de 10,2 vezes normal.
- Apesar da pressão, Cima vê oportunidade na queda para entradas de investidores, com expectativa de continuidade do bom ambiente para semicondutores até 2028; o financiamento da IA generativa ainda é incipiente, e há expectativa de competição entre empresas americanas e chinesas.
As bolsas da Ásia fecharam em alta nesta sexta-feira, 3, com o setor de tecnologia puxando os ganhos. O movimento ocorreu após o fechamento misto em Wall Street na véspera, ajudando as principais praças da região a avançarem.
No Japão, o índice Nikkei subiu 1,53%, encerrando aos 69.883 pontos. A Coreia do Sul registrou o maior ganho, com o Kospi avançando acima de 5% para 8.088 pontos. Em Xangai, a bolsa somou 0,37%, a 4.043 pontos, impulsionada por dados de serviços que superaram expectativas. Shenzhen ganhou 0,63% e o Hang Seng subiu 1,18%, a 23.327 pontos.
Nos últimos meses, ações ligadas à inteligência artificial apresentam alta volatilidade, com dúvidas sobre o retorno de investimentos em infraestrutura de IA e o financiamento das empresas. O cenário foi analisado por Felipe Cima, da Manchester Investimentos, ao CNN Money.
Para Cima, o momento é de tensão antes de divulgações de resultados do segundo trimestre. Segundo ele, o primeiro trimestre trouxe resultados fortes para o setor, com revisões de Capex para cima e valorizações acima de 100% em algumas companhias.
Ele destacou que, apesar das altas, o crescimento de lucros chegou a mais de 100% em várias empresas, o que tornou algumas métricas de valuation mais acessíveis neste início de ano. A recente correção estaria ligada à desconfiança sobre rentabilizar esses investimentos e ao juro elevado nos EUA.
Em relação aos juros norte-americanos, o especialista cita o título de 30 anos em torno de 4,98%, com possibilidade de chegar a 5%, o que pode reduzir fluxos de capital para equities.
Oportunidade no movimento de queda
Apesar do ambiente de pressão, Cima afirma que a correção nas ações de tecnologia pode abrir oportunidades para investidores que não participaram da primeira onda.
Ele cita a Micron, que passou a negociar entre 5 e 6 vezes o lucro esperado para 2028, frente a um múltiplo histórico próximo de 10,2. A visão é de que a queda recente pode atrair entradas no momento oportuno.
Além disso, o analista aponta que a Coreia do Sul concentra grandes nomes de semicondutores, como Samsung e SK Hynix, com lucros trimestrais na casa de US$ 30 bilhões, mantendo expectativas de continuidade positiva no setor até 2028.
Para Cima, o Capex deve seguir em alta, com crescimento de lucros ainda incerto sobre quem serão os grandes ganhadores no setor de chips e IA.
Financiamento de IA generativa ainda incipiente
Cima avaliou que o financiamento de tecnologias de IA generativa ainda está em estágio inicial. O modelo começou com versões gratuitas e as empresas buscam formas de remuneração mais estáveis.
Ele destacou que a penetração de mercado ainda é pequena, mas deve crescer de forma exponencial com o tempo. Nesse contexto, empresas com maior receita de publicidade, como a Meta, teriam posição mais favorável inicialmente.
O especialista lembra que, daqui em diante, a aplicação empresarial da IA tende a ganhar protagonismo, com abertura de disputa entre empresas americanas e chinesas no setor.
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