- A União Europeia manteve tarifas sobre veículos elétricos chineses, com sobretaxas específicas para fabricantes como SAIC (35,3% além de 10% já existente) e Geely, BYD e Tesla (Xangai) com 18,8%, 17% e 7,8%, respectivamente; vigência de cinco anos.
- A Comissão Europeia pode estender as tarifas compensatórias a veículos híbridos plug-in, ampliando o alcance da medida.
- Mesmo com as tarifas, marcas chinesas seguem ganhando participação na Europa; em maio, registraram crescimento de 6% nas vendas e superaram japonesas.
- No primeiro trimestre de 2026, veículos de marcas chinesas na Europa somaram 273.051 unidades, com participação de 8,7% da frota, alta de quase 4 pontos percentuais em um ano.
- As montadoras chinesas recorrem à produção local na Europa (ex.: GAC e Xpeng com Magna Steyr na Áustria) e a expansão de fábricas na Hungria e Espanha; planos incluem Espanha (BYD, Leapmotor), Polestar 7 na Eslováquia pela Geely e joint venture da Chery na Espanha.
As tarifas da União Europeia sobre veículos elétricos chineses não frearam o avanço das montadoras da China no mercado europeu. Mesmo com sobretaxas, fabricantes passaram a ganhar participação por meio de preços mais baixos e expansão da produção na Europa.
A Comissão Europeia divulgou tarifas adicionais em 4 de julho de 2024 sobre BEVs importados da China, após avaliar subsídios estatais considerados desleais. As cobranças entraram em vigor em outubro de 2024, válidas por cinco anos.
Tarifas por empresa
A SAIC e “outras companhias não cooperantes” ficaram com 35,3% de sobretaxa, já somada à tarifa de 10%. Geely, BYD e Tesla (Xangai) tiveram sobretaxas de 18,8%, 17% e 7,8%, respectivamente. A medida busca equilibrar a concorrência com a indústria europeia.
A Comissão Europeia avalia ainda estender as tarifas compensatórias a veículos híbridos plug-in, atualmente sem esse regime. A intenção é ampliar o alcance de medidas para coibir subsídios estatais.
Apesar das sobretaxas, registros de marcas chinesas na Europa Ocidental seguem em crescimento. Em maio, ganharam participação sobre as japonesas, com alta de 6% nas vendas impulsionada por exportações e preços competitivos.
Produção local na Europa
No primeiro trimestre de 2026, foram registrados 273.051 veículos de marcas chinesas na Europa, segundo Schmidt Auto Research, frente a 223.300 da Coreia do Sul. A participação de veículos chineses subiu para 8,7%.
Especialistas projetam que as vendas na UE podem chegar a 800 mil unidades em 2024 e superar 1 milhão em 2027, conforme avaliações de mercado. A aposta é ampliar a presença com oferta de híbridos e modelos acessíveis.
Estratégias de adaptação
As fabricantes passaram a ampliar a linha híbrida e manter modelos a combustão para contornar tarifas. BYD, por exemplo, expandiu o portfólio híbrido, com o Seal U sendo o híbrido plug-in mais vendido na Europa em 2025, com 65.866 unidades.
Analistas destacam que motores que não sofrem tarifas compensatórias ajudam a manter a competitividade. Preços baixos continuam a vantagem central, com modelos de entrada atraentes como o T03, da Leapmotor.
Pressões e investimentos
Pequim alertou sobre potencial guerra comercial, mas a resposta da UE foi contida. China já adotou medidas pontuais contra países que apoiaram as tarifas, incluindo restrições a bebidas alcoólicas francesas e carne suína espanhola.
Especialistas apontam que a China evita confrontos diretos e prioriza ganhos com o mercado europeu, estratégico para a cadeia de suprimentos global. A produção interna na Europa aparece como próxima etapa da estratégia chinesa.
Produção na Europa e investimentos
GAC e Xpeng já fabricam sob contrato com a Magna Steyr, na Áustria. BYD e Leapmotor planejam ampliar fábricas na Hungria e na Espanha até o fim do ano. SAIC e Geely vendem planos para operações na Espanha e Eslováquia, respectivamente.
Com tarifas elevadas, a Europa antecipou decisões de investimento, aumentando parcerias entre europeias e chinesas em plantas já existentes. A estratégia visa manter competitividade sem depender apenas de barreiras comerciais.
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