- Os cinemas de rua da Zona Norte do Rio de Janeiro enfrentam abandono desde as décadas de 1980 e 1990.
- Recentemente, iniciativas como a reabertura do CineCarioca Penha buscam revitalizar esses espaços culturais.
- O Cine Vaz Lobo, com sua fachada art déco, é um símbolo da cultura local e está desativado, mas há esforços para preservá-lo.
- Apenas quatro cinemas de rua permanecem ativos na região, destacando-se o CineCarioca no Méier e o Ponto Cine em Guadalupe.
- A prefeitura, por meio da RioFilme, está mapeando espaços para reativação, priorizando áreas com menor acesso à cultura.
Os antigos cinemas de rua da Zona Norte do Rio de Janeiro, que foram centros culturais vibrantes, enfrentam um cenário de abandono e fechamento desde as décadas de 1980 e 1990. Recentemente, iniciativas como a reabertura do CineCarioca Penha e propostas de revitalização de espaços como o Cine Vaz Lobo buscam resgatar essa memória cultural.
Na Avenida Vicente de Carvalho, o Cine Vaz Lobo, com sua fachada art déco, é um símbolo do que foi a vida cultural do bairro. Luiz Carlos Pereira de Souza, que herdou uma banca de jornal ao lado, relembra: “O cinema era o motor do bairro”. Hoje, o local está desativado, mas a luta pela preservação continua. O professor Luiz Claudio Lima, documentarista, destaca a importância de registrar essas histórias em seu curta “Que cinema é esse? — Cine Vaz Lobo”, exibido na Mostra de Tiradentes.
Durante as décadas de 1940 a 1980, a Zona Norte contava com uma rica oferta de cinemas, mas a ascensão da televisão e dos shoppings levou muitos a fechar. Apenas quatro cinemas de rua permanecem ativos na região, como o CineCarioca no Méier e o Ponto Cine em Guadalupe, que se destacam por suas programações voltadas ao cinema brasileiro. A reabertura do CineCarioca Penha, com apoio da RioFilme, é um exemplo de revitalização cultural.
A pesquisadora Tainá Andrade alerta que apenas 24% dos equipamentos culturais da cidade estão na Zona Norte, onde reside mais de 70% da população carioca. “Sem cinema, sem cultura, sem visibilidade”, afirma. A prefeitura, por meio da RioFilme, está mapeando espaços para reativação, priorizando áreas com menor acesso à cultura. No entanto, a preservação efetiva desses locais ainda enfrenta desafios, como a falta de fiscalização e a transformação de muitos prédios em outros tipos de comércio.
A luta pela preservação dos cinemas de rua é um reflexo da busca por identidade cultural e vitalidade nos bairros. “Os cinemas movimentavam o comércio e traziam segurança”, destaca a historiadora Maria Celeste Ferreira. A reativação desses espaços pode ser um passo importante para devolver a vida cultural às comunidades suburbanas, promovendo um ambiente de interação e experiência.
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