- Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que a proibição da venda de produtos ultraprocessados em escolas melhorou a qualidade da alimentação de crianças e adolescentes.
- A pesquisa analisou a comercialização de alimentos em escolas privadas de Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Niterói entre 2022 e 2025.
- Cidades com regulamentações específicas apresentaram melhores índices de saudabilidade alimentar, com Porto Alegre liderando em 2022 com 68,9 pontos.
- Após a sanção de leis em 2023, os índices do Rio de Janeiro e Niterói aumentaram, enquanto Porto Alegre e Recife tiveram quedas.
- A pesquisa também identificou desigualdades sociais na venda de ultraprocessados, com destaque para Recife, onde refrigerantes foram os mais vendidos.
A proibição da venda de produtos ultraprocessados em escolas tem mostrado resultados positivos na qualidade da alimentação de crianças e adolescentes. Um estudo da Fiocruz, em parceria com universidades federais, revelou que cidades brasileiras com regulamentações específicas apresentaram melhores índices de saudabilidade alimentar.
A pesquisa, intitulada *Impacto da Regulamentação do Ambiente Alimentar Escolar*, analisou a comercialização de alimentos em escolas privadas de Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Niterói entre 2022 e 2025. Os dados inéditos mostram que as cidades que implementaram leis para restringir produtos como salgadinhos e refrigerantes obtiveram pontuações superiores no Índice de Saudabilidade.
Em 2022, Porto Alegre liderou com 68,9 pontos, seguida por Recife (53,09), Rio de Janeiro (45,4) e Niterói (43,13). Após a sanção de leis em 2023, os índices do Rio e Niterói aumentaram, enquanto Porto Alegre e Recife apresentaram quedas. A professora de Nutrição da UFRJ-Macaé, Laís Botelho, destacou que a melhoria nos índices se deve à implementação das legislações.
Desafios e Resultados
Os pesquisadores analisaram cerca de 200 cantinas e consideraram a presença de 50 tipos de alimentos, divididos entre ultraprocessados e opções in natura. Embora o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) não proíba totalmente os ultraprocessados, ele oferece refeições que seguem diretrizes de saudabilidade. Recentemente, o limite de ultraprocessados permitidos pelo PNAE foi reduzido de 20% para 15%.
A pesquisa também revelou desigualdades sociais que afetam a qualidade da alimentação. Em Recife, por exemplo, o refrigerante foi o ultraprocessado mais vendido, presente em 82,14% das escolas analisadas. Em contraste, a frequência de venda foi menor em Niterói e Porto Alegre, com 43,03% e 6,06%, respectivamente.
Mudanças nas cantinas têm sido implementadas, como no Colégio La Salle Abel, em Niterói, que substituiu alimentos ultraprocessados por opções mais saudáveis. O diretor da escola, Irmão Jardelino Menegat, afirmou que a nova cantina tem feito sucesso entre os alunos ao oferecer versões mais saudáveis de pratos tradicionais.
O estudo continua em andamento, com a próxima coleta de dados prevista para 2026 no Rio de Janeiro, onde a fiscalização das leis ainda é um desafio.
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