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Estudo revela que proibição de ultraprocessados em escolas melhora alimentação infantil

Estudo da Fiocruz mostra que proibições de ultraprocessados em escolas elevam índices de saudabilidade alimentar em cidades brasileiras.

Alimentação baseada em produtos ultraprocessados favorece obesidade e apresenta riscos à saúde (Foto: Eduardo Knapp - 21.mai.25/Folhapress)
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  • Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que a proibição da venda de produtos ultraprocessados em escolas melhorou a qualidade da alimentação de crianças e adolescentes.
  • A pesquisa analisou a comercialização de alimentos em escolas privadas de Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Niterói entre 2022 e 2025.
  • Cidades com regulamentações específicas apresentaram melhores índices de saudabilidade alimentar, com Porto Alegre liderando em 2022 com 68,9 pontos.
  • Após a sanção de leis em 2023, os índices do Rio de Janeiro e Niterói aumentaram, enquanto Porto Alegre e Recife tiveram quedas.
  • A pesquisa também identificou desigualdades sociais na venda de ultraprocessados, com destaque para Recife, onde refrigerantes foram os mais vendidos.

A proibição da venda de produtos ultraprocessados em escolas tem mostrado resultados positivos na qualidade da alimentação de crianças e adolescentes. Um estudo da Fiocruz, em parceria com universidades federais, revelou que cidades brasileiras com regulamentações específicas apresentaram melhores índices de saudabilidade alimentar.

A pesquisa, intitulada *Impacto da Regulamentação do Ambiente Alimentar Escolar*, analisou a comercialização de alimentos em escolas privadas de Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Niterói entre 2022 e 2025. Os dados inéditos mostram que as cidades que implementaram leis para restringir produtos como salgadinhos e refrigerantes obtiveram pontuações superiores no Índice de Saudabilidade.

Em 2022, Porto Alegre liderou com 68,9 pontos, seguida por Recife (53,09), Rio de Janeiro (45,4) e Niterói (43,13). Após a sanção de leis em 2023, os índices do Rio e Niterói aumentaram, enquanto Porto Alegre e Recife apresentaram quedas. A professora de Nutrição da UFRJ-Macaé, Laís Botelho, destacou que a melhoria nos índices se deve à implementação das legislações.

Desafios e Resultados

Os pesquisadores analisaram cerca de 200 cantinas e consideraram a presença de 50 tipos de alimentos, divididos entre ultraprocessados e opções in natura. Embora o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) não proíba totalmente os ultraprocessados, ele oferece refeições que seguem diretrizes de saudabilidade. Recentemente, o limite de ultraprocessados permitidos pelo PNAE foi reduzido de 20% para 15%.

A pesquisa também revelou desigualdades sociais que afetam a qualidade da alimentação. Em Recife, por exemplo, o refrigerante foi o ultraprocessado mais vendido, presente em 82,14% das escolas analisadas. Em contraste, a frequência de venda foi menor em Niterói e Porto Alegre, com 43,03% e 6,06%, respectivamente.

Mudanças nas cantinas têm sido implementadas, como no Colégio La Salle Abel, em Niterói, que substituiu alimentos ultraprocessados por opções mais saudáveis. O diretor da escola, Irmão Jardelino Menegat, afirmou que a nova cantina tem feito sucesso entre os alunos ao oferecer versões mais saudáveis de pratos tradicionais.

O estudo continua em andamento, com a próxima coleta de dados prevista para 2026 no Rio de Janeiro, onde a fiscalização das leis ainda é um desafio.

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