- Caetano Galindo participou da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2 de setembro.
- Ele discutiu a evolução da língua portuguesa e desafiou a ideia de que o idioma é puro e imutável.
- Galindo incentivou os brasileiros a se apropriarem da riqueza linguística do português.
- O autor criticou a visão elitista que impõe normas de fala, destacando a diversidade do idioma.
- Ele também abordou a reação em Portugal sobre a influência dos imigrantes brasileiros na língua, considerando-a um pânico moral.
Caetano Galindo, escritor e professor, participou da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) no dia 2 de setembro, onde discutiu a evolução da língua portuguesa. Em sua mesa “Roçar a língua de Camões”, ele desafiou a ideia de que o idioma é puro e imutável, incentivando os brasileiros a se apropriarem de sua riqueza linguística.
Galindo comparou seu projeto de divulgação da língua a uma cena do filme “Aprile”, de Nanni Moretti, onde um personagem grita que “as pessoas precisam saber”. O autor de “Na ponta da língua” (Companhia das Letras) argumenta que a língua é uma construção social marcada por preconceitos e poder. Ele critica a visão elitista que tenta ditar como as pessoas devem falar, ignorando a diversidade e a criatividade que caracterizam o idioma.
O livro de Galindo investiga a formação das palavras e o contexto simbólico em que elas surgiram. Ele destaca que o português do Brasil é resultado do aprendizado das camadas populares, e que as transformações na língua são naturais e contínuas. Um exemplo é a simplificação na marcação de plurais, que, segundo ele, é frequentemente vista como erro, mas é uma evolução linguística.
O autor também menciona que essa tendência não é exclusiva do português, ocorrendo em várias línguas. Galindo, que já traduziu obras de autores como William Faulkner e James Joyce, compartilha reflexões sobre o uso da língua em suas redes sociais, buscando desmistificar a norma culta e suas conotações elitistas.
Recentemente, a discussão sobre a língua portuguesa ganhou destaque em Portugal, onde imigrantes brasileiros são acusados de corromper a fala das novas gerações. Galindo identifica essa reação como um pânico moral, ressaltando que a presença cultural e digital do Brasil é significativa. Ele defende que os brasileiros devem assumir a propriedade de sua língua, superando a crença de que o que é local é inferior.
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