- Louisa Yousfi, jornalista francesa de origem argelina, participa da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) em São Paulo.
- No dia nove de agosto, às dezenove horas, ela apresentará sua tese sobre identidades bárbaras, tema central de seu ensaio “Permanecer Bárbaro: Não Brancos Contra o Império”.
- O evento, que ocorre até domingo, destaca as conexões entre as histórias da Argélia e do Brasil, ambos afetados pela violência colonial.
- A Flipei, alternativa à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), é um espaço de militância de esquerda, alinhado com a obra provocativa de Yousfi.
- A mudança de local do evento, da Praça das Artes para o Galpão Elza Soares, ocorreu a poucos dias do festival, refletindo as tensões abordadas na narrativa da autora.
A jornalista francesa de origem argelina Louisa Yousfi chega ao Brasil para participar da Flipei, a Festa Literária Pirata das Editoras Independentes, em São Paulo. No dia 9, às 19h, ela apresentará sua tese sobre a adoção de identidades bárbaras, um tema central de seu ensaio “Permanecer Bárbaro: Não Brancos Contra o Império”. O evento, que ocorre até domingo, reflete a conexão entre as histórias da Argélia e do Brasil, ambos marcados pela violência colonial.
A Flipei, que surgiu como uma alternativa à Flip de Paraty, é um espaço que ressoa com a militância de esquerda, ideal para Yousfi, que se destacou por sua obra provocativa. A autora, que se inspira na luta de seu país natal, expressou entusiasmo por sua visita ao Brasil, afirmando que existem “ressonâncias subterrâneas” entre as experiências argelinas e brasileiras.
A mudança de local do evento, que inicialmente seria na Praça das Artes, para o Galpão Elza Soares, ocorreu a menos de uma semana do festival, refletindo as tensões que permeiam a obra de Yousfi. Em sua narrativa, ela aborda a colonização e a necessidade de resgatar a autenticidade cultural, afirmando que a repressão da identidade resulta em uma incapacidade de se expressar.
Yousfi critica a ideia de ser classificada como franco-argelina, argumentando que essa designação apaga a história de opressão e transforma a questão em uma mera tensão cultural. Seu ensaio, que mistura teoria e referências, é descrito como um “vômito súbito” de ideias, onde a barbárie é vista como um espaço interno a ser protegido. A autora adota uma “estética da insolência”, rejeitando as normas acadêmicas tradicionais e se inspirando em pensadores latino-americanos, como Enrique Dussel.
Para Yousfi, sua passagem pelo Brasil representa um retorno às raízes de sua formação intelectual decolonial, onde busca escutar as memórias e resistências populares, estabelecendo diálogos entre as lutas de diferentes povos.
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