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Fraudes em publicações científicas crescem e preocupam a comunidade acadêmica

Crescimento alarmante de artigos fraudulentos ameaça a integridade científica e pode distorcer diretrizes médicas essenciais

Um pequeno grupo de editores pode estar facilitando a aprovação dessas publicações com fraude (Foto: Banco de imagens/Getty Images)
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  • O aumento da fraude acadêmica preocupa o meio científico, com um estudo liderado por Luís Nunes Amaral, da Universidade Northwestern, revelando um crescimento acelerado de artigos fraudulentos.
  • Desde 2010, a quantidade de publicações fraudulentas duplica a cada um ano e meio, enquanto o total de artigos científicos dobra a cada 15 anos.
  • Empresas conhecidas como “fábricas de papel” produzem artigos falsos, muitas vezes com o uso de inteligência artificial, e vendem a autoria a acadêmicos.
  • O estudo analisou dados da revista PLOS ONE, que retratou 702 artigos e recebeu alertas sobre 2.241 publicações.
  • Quarenta e cinco editores são responsáveis por uma parte significativa das retratações, levantando suspeitas de conluio, e a permanência de artigos falsos pode afetar diretrizes clínicas e tratamentos.

O aumento da fraude acadêmica está se tornando uma preocupação crescente no meio científico. Uma pesquisa liderada pelo físico Luís Nunes Amaral, da Universidade Northwestern, revelou que a quantidade de artigos fraudulentos está crescendo rapidamente, com um pequeno grupo de editores facilitando a aprovação dessas publicações. O estudo foi publicado na revista PNAS e aponta que, enquanto o número total de artigos científicos dobra a cada 15 anos, a quantidade de artigos fraudulentos duplica a cada 1,5 ano desde 2010.

A pesquisa identificou que empresas conhecidas como “fábricas de papel” estão criando artigos falsos, frequentemente com o auxílio de inteligência artificial, e vendendo a autoria a acadêmicos que buscam aumentar suas publicações. A análise de Amaral focou em dados da PLOS ONE, uma das maiores revistas científicas, que publicou cerca de 277 mil artigos desde 2006. Dentre esses, 702 foram retratados e 2.241 receberam alertas no site PubPeer.

Editores em Foco

O estudo revelou que 45 editores são responsáveis por uma parcela desproporcional de artigos retratados. Esses editores gerenciam apenas 1,3% das submissões, mas estão por trás de 30,2% das retratações. Mais da metade deles tinha artigos próprios retratados e frequentemente atuavam como editores em seus próprios trabalhos, levantando suspeitas de conluio para contornar revisões rigorosas. Embora os nomes desses editores não tenham sido divulgados, a revista Nature investigou e identificou cinco deles, todos afastados entre 2020 e 2022 pela PLOS ONE, que negaram irregularidades.

A permanência de artigos falsos no registro científico é alarmante, especialmente em áreas médicas, onde podem influenciar diretrizes clínicas e tratamentos. Um estudo recente mostrou que revisões que incluem evidências retratadas têm entre 8% e 16% de conclusões incorretas. A pesquisa destaca que o problema persiste devido à valorização da quantidade de publicações e citações no sistema acadêmico, criando incentivos para fraudes.

Consequências e Medidas

A pressão por maior rigor nas publicações está aumentando. Bases de dados como Scopus e Web of Science podem excluir periódicos que não mantêm padrões confiáveis, o que afeta sua reputação. Nandita Quaderi, editora-chefe da Web of Science, afirma que se conteúdos não confiáveis não forem retratados, o periódico perde acesso às bases de dados. A situação exige atenção redobrada para garantir a integridade da pesquisa científica.

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