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Mulheres mais velhas abusam de meninos sob a aparência de iniciação sexual

Cultura patriarcal dificulta reconhecimento e denúncia de abusos sexuais contra meninos, que representam mais de 25 mil vítimas no Brasil

Ilustração para série sobre violência sexual infantil (Foto: Fido Nesti)
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  • Entre 2015 e 2021, o Brasil registrou 164.814 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes até 14 anos, segundo dados do sistema Viva/Sinan.
  • Desses casos, 25.724 meninos foram vítimas, evidenciando a gravidade do problema.
  • Muitos meninos não reconhecem abusos, especialmente quando cometidos por mulheres mais velhas, devido a pressões culturais.
  • A maioria das agressões, 71%, ocorre no ambiente familiar, frequentemente por conhecidos.
  • Especialistas destacam a importância de uma rede de proteção envolvendo família, escola e Estado para garantir que meninos possam expressar suas emoções e fragilidades.

Entre 2015 e 2021, o Brasil registrou 164.814 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes até 14 anos, conforme dados do sistema Viva/Sinan. Desses, 25.724 meninos foram vítimas, evidenciando a gravidade do problema. A pesquisa aponta que muitos meninos não reconhecem abusos, especialmente quando cometidos por mulheres mais velhas, devido a pressões culturais que normalizam essas situações como “iniciação sexual”.

A cultura patriarcal e machista contribui para que meninos sintam-se obrigados a não denunciar abusos. O psicólogo Denis Ferreira, do Núcleo de Estudos Transdisciplinares sobre Violência Sexual e Homens, destaca que a ideia de que homens devem estar sempre prontos para o sexo impede a denúncia. A legislação brasileira considera crime qualquer relação sexual com menores de 14 anos, pois essa faixa etária é considerada incapaz de consentir.

Reconhecimento e Denúncia

Dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em 2024, revelam que 71% das agressões contra meninos ocorrem no ambiente familiar, muitas vezes perpetradas por conhecidos. A advogada Leticia Ueda explica que a violência sexual abrange diversas condutas sem consentimento, como assédio e manipulação, que podem ocorrer sem contato físico.

A dessensibilização dos meninos, iniciada na infância com a exposição à pornografia, é um fator que dificulta o reconhecimento do abuso. Caroline Arcari, pedagoga e especialista em educação sexual, ressalta que essa exposição é incentivada até dentro das famílias, reforçando a masculinidade de forma tóxica.

Impactos e Necessidade de Ação

Os impactos da violência sexual na infância são profundos. O psiquiatra Danilo Baltieri aponta que muitos meninos que sofreram abusos apresentam disfunções sexuais e dificuldades em relacionamentos na vida adulta. É essencial desromantizar a ideia de que o contato sexual com mulheres mais velhas é uma conquista, pois qualquer aproximação sexual com crianças é abuso.

Especialistas defendem a criação de uma rede de proteção que envolva família, escola e Estado, para garantir que meninos possam expressar suas emoções e fragilidades sem medo de serem ridicularizados. A conscientização e a educação são fundamentais para mudar essa realidade e proteger as futuras gerações.

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