- O cinema argentino enfrenta novos desafios sob a gestão do presidente Javier Milei.
- Na 82ª edição da Mostra de Veneza, foram apresentados apenas cinco filmes argentinos, incluindo o documentário Nossa Terra, de Lucrecia Martel.
- Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, cortes severos paralisaram a produção cinematográfica.
- O Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA) não financiou novos filmes, forçando as produtoras a dependerem de recursos próprios.
- A falta de apoio governamental e a crise econômica elevam os custos de produção, resultando em uma queda acentuada na produção a curto e médio prazo.
Após uma presença reduzida em festivais internacionais, o cinema argentino enfrenta novos desafios sob a gestão do presidente Javier Milei. A 82ª edição da Mostra de Veneza apresenta apenas cinco filmes argentinos, incluindo o documentário Nossa Terra, de Lucrecia Martel. Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, sua política de cortes severos impactou diretamente a produção cinematográfica, levando à paralisia do setor.
A nova abordagem do governo afetou o Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (INCAA), responsável pelo fomento à produção. Segundo Vanesa Pagani, presidente da Associação de Produtores Independentes de Meios Audiovisuais (APIMA), “nenhum filme obteve financiamento para ser realizado” desde a nova gestão. As produtoras agora dependem de recursos próprios, dificultando a realização de projetos.
Os efeitos da gestão de Milei foram evidentes em festivais como Cannes e Berlinale, onde a Argentina teve uma participação mínima. Em Veneza, além de Nossa Terra, foram apresentados: Um Cabo Solto, de Daniel Hendler; Pin de Fartie, de Alejo Moguillanski; The Souffleur, de Gastón Solinicki; e o curta A Origem do Mundo, de Jazmín López. Javier Campo, pesquisador de cinema, critica a situação, afirmando que a expectativa de recuperação é “falsa”, uma vez que muitas produções são coproduções com financiamento externo.
Impactos na Indústria
A produção cinematográfica argentina está “praticamente estagnada”, segundo Hernán Findling, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina. Ele destaca que a falta de apoio governamental e a crise econômica elevam os custos de produção. A previsão é de uma queda acentuada na produção a curto e médio prazo.
Embora plataformas de streaming mantenham alguma produção, especialistas alertam para a perda de diversidade no cinema. Nicolás Vetromile, montador e delegado do sindicato ATE no INCAA, aponta o risco de “uberização do cinema”, onde as condições de trabalho são menos favoráveis. A situação atual levanta preocupações sobre o futuro da produção cinematográfica na Argentina, especialmente para pequenas produtoras que não conseguem financiar seus projetos.
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