- Brasileiros com ensino superior ganham, em média, 148% a mais do que aqueles com apenas ensino médio.
- Apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais têm ensino superior (dados de 2024).
- Entre quem inicia o bacharelado, 25% abandonam os estudos após o primeiro ano, contra 13% na média da OCDE.
- Quase 24% dos jovens de 18 a 24 anos no Brasil estão NEET (sem emprego, nem estudo ou treinamento) em 2024, com maioria entre mulheres (29%) versus homens (19%).
- Investimentos governamentais em ensino superior no Brasil chegam a US$ 3.765 por aluno (2022), menor que a média da OCDE, mas semelhante ao peso do PIB.
No Brasil, ter diploma de ensino superior aumenta remuneração e chances de emprego. Dados do relatório Education at a Glance 2025 da OCDE mostram que pessoas de 25 a 64 anos com graduação ganham, em média, 148% a mais que quem tem apenas ensino médio. A diferença supera a média entre países da OCDE, que é de 54%.
O estudo aponta ainda que, apesar do ganho, apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais possuem ensino superior, conforme dados de 2024. Entre 18 e 24 anos, 24% não estão empregados nem participam de educação ou treinamento (NEET), índice superior à média da OCDE (14%).
Entre quem ingressa no ensino superior, o abandono no primeiro ano é elevado no Brasil: 25% desistem, enquanto a média OCDE é de 13%. Mesmo após três anos do prazo esperado, apenas 49% concluem o curso no Brasil, contra 70% na OCDE.
Dados da OCDE
A taxa de conclusão por gênero é relevante no Brasil: 53% das mulheres concluem o bacharelado, frente a 43% dos homens, diferença de 10 pontos percentuais. A distância entre homens e mulheres é menor no Brasil que na média da OCDE, que é de 12 pontos.
A mobilidade internacional de estudantes também cresceu na OCDE, de 6% em 2018 para 7,4% em 2023. O Brasil permaneceu com 0,2% de estudantes internacionais, sem aumento relevante.
Investimentos e qualidade
Os gastos governamentais brasileiros por aluno no ensino superior, em 2022, correspondem a cerca de US$ 3.765 (aprox. R$ 20 mil). A média OCDE é de US$ 15.102 (aprox. R$ 80 mil). Mesmo com o investimento por aluno abaixo, o percentual do PIB investido no setor é próximo entre Brasil e OCDE, em torno de 0,9%.
A OCDE ressalta que melhorar indicadores requer qualidade e retorno do investimento. O secretário-geral Mathias Cormann cita necessidade de orientação profissional no ensino médio, programas com trajetórias claras e apoio para alunos em atraso, além de opções de ensino superior mais inclusivas e flexíveis.
Desafios de leitura e conteúdo
Outra pesquisa da OCDE aponta que, mesmo entre quem possui diploma, há dificuldades de compreensão de textos complexos. Em média, 13% dos adultos com ensino superior não atingiram o nível básico de alfabetização entre 29 países da OCDE. A organização sublinha a importância de ampliar acesso e elevar qualidade da educação superior.
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