- Um ataque a tiros no estacionamento da Escola Estadual Professor Luís Felipe, em Sobral, Ceará, resultou na morte de dois adolescentes e deixou três feridos.
- As vítimas, de 16 e 17 anos, foram atingidas por disparos feitos por criminosos em uma moto.
- O secretário de Segurança do Ceará, Roberto Sá, classificou o ataque como uma “execução premeditada”.
- Na cena do crime, foram encontrados uma balança de precisão e embalagens de drogas.
- O Ceará se tornou um campo de batalha entre facções criminosas, afetando a segurança nas escolas e a vida dos alunos.
O ataque a tiros no estacionamento da Escola Estadual Professor Luís Felipe, em Sobral (CE), nesta quinta-feira (25), que resultou na morte de dois adolescentes e deixou outros três feridos, é um sintoma da intensificação da guerra entre as facções criminosas que transformou o Ceará em um de seus principais campos de batalha.
As vítimas, Victor Guilherme de Sousa Aguiar, de 16 anos, e Luiz Cláudio Sousa Oliveira Filho, de 17, foram atingidas por diversos disparos. O crime, cometido por criminosos que estavam em uma moto do lado de fora do colégio, expõe a vulnerabilidade do ambiente público diante de um conflito que se origina muito além dos portões da escola.
O secretário de Segurança do Ceará, Roberto Sá, classificou o ataque como uma “execução premeditada” e afirmou que um dos sobreviventes possui antecedentes criminais por roubo e homicídio. Os agentes também encontraram uma balança de precisão e embalagens de drogas na cena do crime.
Campo de batalha das facções
Facções criminosas encontraram no Ceará um terreno fértil para a violência. O estado, principalmente por causa dos portos, tornou-se uma rota estratégica para o envio de drogas à Europa, elevando o interesse das grandes facções nacionais pelo controle do território.
Foi nesse cenário que, nos últimos anos, o Comando Vermelho (CV) iniciou uma agressiva expansão pelo Ceará, avançando sobre áreas historicamente controladas pelos Guardiões do Estado (GDE), uma facção local que emergiu da ruptura entre grandes grupos e se notabilizou pela extrema violência e pela prática de chacinas. A partir disso, a disputa sangrenta por rotas e pontos de venda de drogas se espalhou pelo estado. Vale lembrar que também atuam no Ceará o grupo criminoso paulista PCC e o carioca TCP (Terceiro Comando Puro).
Escolas em “contexto de guerra”
O impacto dessa guerra entre facções vai além da violência nas ruas e faz com que até escolas deixem de ser espaços seguros. Em declaração à *Folha de S.Paulo*, Francisco Elionardo Nascimento afirmou que as organizações criminosas têm se mostrado cada vez mais incisivas no funcionamento das escolas e ressaltou que alunos e professores acabam vivendo em um contexto de insegurança incompatível com o ambiente necessário para o processo educativo.
Professores relataram ao jornal que é comum que alunos sejam impedidos de frequentar unidades escolares localizadas em áreas controladas por facções diferentes daquelas em que vivem.
Paradoxo da cidade
O episódio violento expõe o paradoxo vivido por Sobral, a quinta maior cidade do Ceará. Ao mesmo tempo em que o município se destaca nacionalmente por seus excelentes índices de alfabetização e qualidade na educação, também figura entre as cidades mais violentas do país.
Sobral ocupa a 12ª posição no ranking nacional de homicídios, com uma taxa de 59,9 mortes violentas por 100 mil habitantes, evidenciando o profundo desafio social e de segurança pública que a cidade e todo o estado do Ceará enfrentam.
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