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Pesquisadores contestam mito das múltiplas inteligências

Quatro décadas depois, teoria das múltiplas inteligências persiste sem evidência, com alta crença entre docentes e custos pedagógicos elevados

(David Malan/Getty Images)
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  • Em 1983, Howard Gardner publicou Frames of Mind, apresentando a ideia de várias inteligências (musical, espacial, interpessoal, corporal, intrapessoal) e sugerindo que testes de QI não capturavam todas as aptidões.
  • Quatro décadas depois, a teoria das múltiplas inteligências segue sem evidência empírica robusta e é associada a neuromitos na educação.
  • Estudos mostram alta crença entre docentes: entre oitenta e noventa por cento dos professores adotam ao menos um neuromito.
  • Pesquisas com 929 docentes de quinze países indicam que mais de noventa por cento aceitavam pelo menos um neuromito e sessenta e oito por cento ainda sustentavam a MI.
  • Entre os mitos mais citados estão aprender conforme o estilo de aprendizagem e a ideia de que usamos apenas dez por cento do cérebro; a prática baseada em MI pode prejudicar abordagens comprovadas, como a instrução fônica.

A teoria das múltiplas inteligências (MI), apresentada por Howard Gardner em 1983, propunha que não existe um único QI, mas várias formas de inteligência. A ideia ganhou adesão global e influenciou educação, políticas públicas e editoras, mesmo sem evidência empírica robusta.

Quatro décadas depois, a MI persiste sem comprovação científica sólida, alimentando neuromitos. Estudos recentes indicam alta crença entre docentes, entre 80% e 90%, com impactos na distribuição de práticas pedagógicas e nos custos de implementação de métodos menos eficientes.

Contexto histórico e divulgação

Em Frames of Mind, Gardner sugeriu que cada pessoa tem um conjunto único de intensidades, como musical, espacial e interpessoal. A mensagem ganhou essência humanista, defendendo que ninguém é “burro”, apenas inteligente de outro modo. A ideia estimulou mudanças em sala de aula, valorizando talentos além das notas.

Impacto na prática educativa

A adesão à MI levou docentes a reconhecer aptidões diversas, ampliando o foco para artes, esporte e empatia. Contudo, pesquisas mostram que o interesse não se traduziu em evidência científica, mantendo interdependência entre habilidades avaliadas e resultados reais de aprendizagem.

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