- O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que não houve erro no resultado final do Enamed, primeira edição, que avaliou 351 cursos de medicina no país.
- Aproximadamente 30% dos cursos tiveram desempenho insatisfatório, ou seja, menos de sessenta por cento dos estudantes foram considerados proficientes, o que impacta o conceito Enade, que varia de um a cinco.
- Associações de faculdades privadas questionam divergências entre dados reportados em dezembro e os números divulgados recentemente, especialmente sobre o total de estudantes proficientes.
- Palacios reconheceu um erro no quantitativo de estudantes com proficiência divulgado internamente, mas afirmou que esse dado não foi utilizado no cálculo dos indicadores de qualidade; boletins e resultados publicados estão corretos.
- A ABMES informa inconsistências pós-divulgação e que medidas administrativas posteriores comprometeram a transparência; o Inep abrirá prazo de cinco dias a partir de 26 de janeiro para as instituições apresentarem manifestações sobre o cálculo do resultado do Enamed.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou nesta terça-feira (20) que não houve erro no resultado da primeira edição do Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica. A avaliação envolveu 351 cursos de medicina em todo o país. Segundo Palacios, o desempenho insatisfatório ocorreu em cerca de 30% dos cursos, quando menos de 60% dos estudantes foram considerados proficientes.
O resultado do Enamed é usado para calcular o conceito Enade das instituições, que varia de 1 a 5. Notas 1 e 2 são consideradas insufficientes pelo MEC. Associações que representam faculdades privadas questionam divergências entre dados reportados em dezembro e os apresentados recentemente, especialmente quanto ao total de estudantes proficientes.
Palacios reconheceu a divergência, atribuída a um erro em um comunicado interno via oMEC, acessível às instituições para validação de informações. Ele disse que o dado errado sobre o número de estudantes proficientes foi corrigido com base no desempenho na prova e não influenciou a classificação dos cursos.
Segundo o presidente, os boletins recebidos pelos participantes, os resultados publicados para os cursos e o conceito Enade gerado para todos os cursos avaliados não apresentam problemas. O que houve, afirmou, foi uma comunicação prévia inadequada às instituições, sem efeito nos cálculos dos indicadores.
Em nota, a ABMES aponta que as inconsistências foram reconhecidas pelo MEC e pelo Inep. A associação cita alterações metodológicas após o fechamento do exame e sustenta que isso compromete transparência, segurança jurídica e interpretação dos dados. Também afirma que a divulgação de microdados sem vínculos entre alunos e instituições dificulta checagens.
A ABMES reforça a necessidade de apuração criteriosa dos fatos e ressalta dúvidas sobre a correção dos conceitos divulgados. A entidade também critica a forma de divulgação dos microdados, que, segundo a nota, impede manifestações adequadas das instituições sobre os resultados.
O MEC anunciou medidas cautelares associadas ao conceito Enade insatisfatório, incluindo possíveis restrições de vagas em cursos de medicina. O Inep abrirá um prazo de cinco dias, a partir de segunda-feira (26), para que as instituições apresentem esclarecimentos e manifestações sobre o cálculo do resultado da avaliação.
Divergências de dados
A controvérsia envolve a diferença entre números de estudantes considerados proficientes divulgados em dezembro e os apresentados recentemente. Representantes das privadas solicitam transparência e revisão dos dados, para assegurar que os números reflitam precisamente o desempenho da prova.
Transparência e próximos passos
O Inep informou que continuará avaliando as informações, com foco na consistência entre boletins, resultados por curso e cálculo do conceito Enade. Os próximos passos incluem a análise de recursos das instituições e a divulgação de informações adicionais conforme a necessidade.
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