- O Painel Educação, obra de Gilda Reis encomendada por Oscar Niemeyer, passa por restauração pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e fica no Edifício-Sede do Ministério da Educação, em Brasília.
- A intervenção, iniciada há quatro meses e localizada no nono andar, integra as celebrações dos 95 anos do Ministério da Educação e está prevista para ser concluída no segundo semestre de 2026.
- O afresco de 15 metros quadrados foi produzido em 1960, data da inauguração de Brasília, e representa duas realidades distintas: estudantes bem vestidos e uma mãe com filhos descalços.
- A restauração envolve três etapas: dossiê técnico-científico, conservação-restauração e orientações de conservação preventiva, com o trabalho sendo realizado de forma contínua e sequencial pela equipe da UFPel.
- A coordenação enfatiza a retratabilidade dos materiais, a diferenciação entre o original e a restauração e o registro cuidadoso das etapas para permitir remoção futura, sem prejuízo à obra.
O Painel Educação, obra encomendada por Oscar Niemeyer durante a construção de Brasília e pintada pela artista Gilda Reis no Edifício-Sede do MEC, avançou no processo de restauração. Realizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o trabalho já atinge quatro meses em janeiro e ocupa o 9º andar do prédio.
A preservação da obra é parte das celebrações dos 95 anos do Ministério da Educação. O painel de 15 metros quadrados, afresco produzido em 1960, retrata duas realidades distintas e foi criado para a inauguração da capital federal. A restauração envolve a equipe multidisciplinar da UFPel e profissionais especializados em pintura mural e conservação.
A seguir, descrevemos o projeto, os cuidados adotados e as etapas previstas para a conclusão da intervenção, com foco na preservação histórica e na documentação técnica da obra.
Trabalho técnico
A equipe reúne especialistas em conservação, pesquisa histórico-artística e documentação científica. Entre os profissionais, destacam-se os responsáveis pela análise química e pela compatibilidade de materiais. O projeto utiliza o termo de execução descentralizada (TED) e integra o Programa Multiações para o Patrimônio Cultural.
A coordenação do projeto é feita pela professora Mirella Moraes de Borba, da UFPel, que descreve a rotina como contínua e sequencial. Diariamente, são preparados adesivos e soluções para remoção de manchas, seguindo os quadrantes de documentação fotográfica para não deixar áreas sem tratamento.
Cuidados com a restauração incluem a utilização de materiais retratáveis, que podem ser removidos no futuro. Na reintegração, a obra mostra o que é restauração e o que é original, com tons laterais para não comprometer a leitura histórica.
Etapas
O projeto envolve três fases, que podem ocorrer de forma concomitante: dossiê técnico-científico, conservação-restauração e orientações de conservação preventiva. O dossiê descreve características físicas, químicas, iconografia e técnicas da artista, bem como a documentação de danos.
Na conservação, a equipe realiza o faceamento emergencial, consolida a camada pictórica e faz o reboco, etapas que demandaram maior tempo devido a desprendimentos. Em seguida, procede-se ao nivelamento e à reintegração pictórica.
A terceira etapa avalia índices de luminosidade, temperatura e umidade ao longo de 12 meses. Ao final, devem ser emitidas orientações para conservação preventiva, incluindo controle ambiental e monitoramento de possíveis deteriorações.
Sobre a artista
Gilda Reis Neto, nascida no Rio de Janeiro, teve carreira extensa e participou de exposições no Brasil e no exterior. Trabalhou com artistas de renome e manteve presença artística ativa até meados dos anos 1990. Diversos murais de sua autoria permanecem preservados em instituições e espaços privados.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Entre na conversa da comunidade