- Brincar nas férias é visto como motor do desenvolvimento, ajudando a organizar emoções e a transição para as aulas, com equilíbrio entre brincadeira e telas.
- Especialistas apontam que o brincar fortalece atenção, autorregulação e integração do aprendizado, sem exigir estímulos digitais extras.
- Dicas: envolver a criança na rotina doméstica com atividades simples, como ajudar a fazer um bolo ou arrumar a mesa, para desenvolver autonomia.
- Sobre telas: estabelecer limites claros de uso (celular e videogame) com avisos prévios de tempo restante; brincar com itens simples como bola, massinha, papel e lápis.
- Benefícios para o retorno às aulas: manter o tempo de brincar pode melhorar sono, foco e reduzir irritabilidade, além de fortalecer vínculos sociais e memória.
As férias escolares estão chegando ao fim, e especialistas recomendam manter o foco no brincar para facilitar a volta às aulas. O brincar é visto como motor do desenvolvimento, ajudando a organizar emoções e reduzir tensões da transição.
Luciana Brites, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento, afirma que as brincadeiras durante o período de descanso permitem explorar interações sociais que a rotina escolar nem sempre oferece. O cérebro trabalha atenção e autorregulação nesse contexto.
A pediatra Mariana Lombardi Novello, com pós-graduação em neurociência, educação e desenvolvimento infantil, reforça que o cérebro demanda experiências que integrem o aprendizado, não apenas estímulos digitais. O brincar é apresentado como necessidade de desenvolvimento.
Desafio das telas
O excesso de tecnologia é apontado como principal entrave ao brincar livre. As especialistas destacam que a criança não regula o uso de telas sozinha, sendo necessário estabelecer limites claros.
Para facilitar a rotina, as dicas sugerem combinar horários de uso de celular e videogame e avisar quando o tempo estiver acabando, como em lembretes de minutos restantes.
Brinquedos simples, como bola, massinha e papel, já estimulam a criatividade sem depender de telas. A prática contínua facilita a dinamização do aprendizado ao longo do ano letivo.
Mesmo com as aulas retomadas, manter momentos de brincar sem roteiro cobra poucos recursos, mas traz benefícios diretos para o desempenho escolar, como sono mais estável, foco e menos irritabilidade.
As atividades por idade ficam mais simples: faz de conta para estudantes de 4 e 5 anos; atividades psicomotoras para os menores; jogos de tabuleiro com regras para os mais velhos.
Resgatar o tédio criativo é essencial: ao reduzir telas, a criança redescobre a capacidade de criar e imaginar, fortalecendo habilidades cognitivas.
Espaços públicos também são úteis: parques e praças ampliam a percepção visual e motora, além de promover socialização em diferentes ambientes.
Saúde mental em dia
O brincar atua como protetor da saúde mental, ajudando a reduzir o estresse e a fortalecer a autoestima, segundo a pediatra. Quando o lazer é negligenciado pela agenda, observam-se crianças mais irritadas e desatentas.
Garantir o brincar ao longo do ano é visto como investimento silencioso, mas profundo na saúde emocional, com benefícios diretos na qualidade das relações e nas funções executivas, como o controle de impulsos.
Com mais tempo em casa, é fundamental manter o ambiente seguro e orientar as brincadeiras para evitar acidentes domésticos, segundo as especialistas.
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