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Quase metade do Fies na Medicina foi para cursos mal avaliados

Quase metade das matrículas de Medicina financiadas pelo Fies está em cursos mal avaliados pelo Enamed, evidenciando falhas de avaliação e risco aos estudantes

A Faculdade Atenas, em Passos (MG), tem 536 estudantes de Medicina (60% do total) inscritos no Fies e desempenho insatisfatório no exame nacional
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  • Em 2024, foram 19.920 contratos do Fies para Medicina, dos quais 9.394 alunos (47%) estavam em cursos com desempenho insatisfatório no Enamed.
  • Pelo Prouni, 41% dos beneficiários em cursos de Medicina estavam matriculados em instituições mal avaliadas.
  • O MEC informou 14 mil contratos do Fies com essas faculdades, equivalentes a 16,7% de um total de 83,5 mil contratos, mas a comparação é imprecisa porque muitos cursos não foram avaliados pelo Enamed.
  • Medidas anunciadas: proibir novos contratos do Fies em 54 cursos com menos de 50% de proficiência; outros cursos com 50% a 60% de alunos proficientes terão limite de aumento de vagas; 99 cursos mal avaliados receberão processo administrativo e supervisão.
  • Do total de cursos de Medicina avaliados, cerca de 30% obtiveram conceitos 1 ou 2 (insuficientes); o volume de ensino privado cresceu nos últimos anos, com impactos discutidos por especialistas e entidades.

Quase metade das matrículas de Medicina financiadas pelo Fies está ligada a cursos mal avaliados pelo Enamed, segundo levantamento do UOL. Em 2024, 19.920 contratos do Fies destacaram-se entre as matrículas avaliadas. Deste total, 9.394 alunos, ou 47%, estavam em programas com desempenho insatisfatório.

No caso do Prouni, 41% dos beneficiários em Medicina estavam matriculados em instituições com avaliação ruim. O MEC informou 14 mil contratos do Fies com essas faculdades, correspondendo a 16,7% de 83,5 mil contratos. A comparação tem limitações, pois muitos cursos não foram avaliados pelo Enamed.

A comparação fica imprecisa porque mais de uma centena de cursos não foram avaliados. O MEC não forneceu o número de contratos com cursos avaliados como satisfatórios. Considerando apenas os cursos avaliados, a proporção de insatisfatórios chega a 47%.

O Fies é um programa federal que paga mensalidades direto à faculdade, reduzindo o risco de inadimplência, com cobrança após a formação. Já o Prouni oferece bolsas parciais ou integrais, sem dívidas para o aluno. Dos 95 cursos privados com notas ruins, 92 receberam recursos públicos por Fies ou Prouni.

Punições

O MEC afirma ter adotado medidas cautelares para proibir novos contratos do Fies em 54 cursos com desempenho insatisfatório, apenas onde menos de 50% dos alunos demonstraram proficiência na prova. Outros cursos com 50% a 60% de alunos proficientes terão suspensão de aumento de vagas, porém, podem firmar novos contratos.

Para os 99 cursos mal avaliados no escopo do MEC, haverá instauração de processo administrativo e supervisão do ministério. Ao todo, 30% dos cursos de Medicina avaliados obtiveram conceitos 1 ou 2, considerados insuficientes.

Entidades de ensino privado contestam os critérios da avaliação e buscam suspensão das punições. A Anup afirma divergências de dados e solicita tempo para consolidação técnica do exame. Pesquisadores, porém, apontam que a punição chega tarde após mais de uma década sem regulação efetiva.

Dependência do Fies

Dois cursos da rede Atenas, em Passos e Sete Lagoas (MG), mostram 60% das matrículas financiadas pelo Fies. Em Passos, 891 vagas entre Medicina tinham 60% de beneficiários, com 61 matrículas no Prouni. A instituição criticou a metodologia do Enamed, sem se manifestar formalmente sobre números.

A proibição de novos contratos não atinge estudantes já financiados; a medida vale apenas para novas adesões. Em Sete Lagoas, o cenário é semelhante, com suspensão de novas vagas e possibilidade de novos financiamentos sob condições.

O levantamento destaca ainda que o boom de cursos privados de Medicina começou após a Lei dos Mais Médicos, com expansão de 2013 a 2023. O número de cursos dobrou e as vagas privadas quase triplicaram, elevando a oferta de ensino médico no país.

Em 2025, o valor médio das mensalidades de Medicina chegou a R$ 10.214, e as Atenas cobravam R$ 10.506. O grupo Educacional, que inclui Atenas, recebeu R$ 26 milhões do Fies em 2025, e 35% de seus beneficiários vêm do Fies.

O TCU avaliou que o Fies e o Prouni sofriam com monitoramento insuficiente, destacando falhas em dados de permanência no curso e empregabilidade. O MEC informou planos de criar um grupo de trabalho para analisar o Fies e sua integração com o Prouni.

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